<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993</id><updated>2011-11-23T05:59:58.324-02:00</updated><category term='como'/><category term='faz uma poesia de fragmentos de beleza que encontra no dia a dia'/><category term='ao escrever em'/><category term='por exemplo'/><category term='Reginaldo migrante'/><title type='text'>FALANDO DE LIVROS DOS AUTORES DO VALE</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>23</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-664817335159113228</id><published>2011-11-04T22:31:00.003-02:00</published><updated>2011-11-09T16:09:48.908-02:00</updated><title type='text'>AUSÊNCIAS DE MAH LUPORINI</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em 2011, Mah Luporini lançou o seu segundo livro "Ausências" em que ela nos mostra quarenta poemas pequenos, cada um possuindo de um a quatro versos. Cada poema é uma pequena definição de um momento, de uma ideia, de uma atitude, de uma sensação ou de um sentimento. Então, ela dá um pequeno título e escreve alguns poucos versos relacionados ao título dado. Desta forma, ela vai descrevendo, através de sua poesia intimista, o mundo em que ela se encontra e aí é a sua grande qualidade e, ao mesmo tempo, o grande defeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BXKjfAYpho0/TrSCLF1uvyI/AAAAAAAAACY/DCzQtkMwTrE/s1600/img002.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; height: 268px; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em; width: 181px;"&gt;&lt;img border="0" height="200" ida="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-BXKjfAYpho0/TrSCLF1uvyI/AAAAAAAAACY/DCzQtkMwTrE/s200/img002.jpg" width="139" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Às vezes penso que ler um livro de poesia é um pouco o trabalho de um médico legista que acaba de encontrar o objeto com o qual trabalha e que vai tentar descobrir as causas daquele objeto ter chegado ali. Começo a ler e vou decifrando palavras e significados, muitas vezes, passa-me pela cabeça que a poesia não é para ser decifrada, entendida ou explicada. A poesia apenas é, apenas existe, existe mais para o poeta do que para o leitor de poesia, mas as palavras, o grande tema de Mah Luporini, pois o tempo todo dedica-se a duas coisas, a si mesma e à sua relação com as palavras, que vem desde a infância pois não podemos deixar de lado a presença dos pais poetas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dos quarenta poemas, vinte deles encontram-se na primeira pessoa do singular&amp;nbsp;no tempo presente. Então, ela usa palavras como "escrevo, dissolvo, perco-me, encontro-me, sou, procuro, liberto-me, quero, caminho, contemplo, navego, habito, ceifo, estou, brinco, sobrevivo, bebo, toco" que, a meu ver, mostra o quanto a poeta é voltada para si mesma tentando encontrar o seu mundo ou se encontrar no seu mundo. E aproximadamente a metade dos poemas também falam sobre palavras, versos, escrever, poesia, muitas vezes, misturam-se os dois temas básicos: quem sou e porque escrevo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Então, esta poesia super intimista, voltada somente a si e às suas vontades e desejos, expõe-se mas não&amp;nbsp;interage com o mundo. Falta-lhe enxergar o mundo à sua volta, interagir, enfrentar, sair do seu casulo e sofrer por tentar em vez de sofrer por ficar presa ao seu mundo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De certa forma, este entranhamento em si mesmo é uma marca da modernidade. Viver sem ver a realidade, ou ver a realidade e preferir viver o seu mundo próprio. As duas coisas se completam e são frequentes atualmente, não enxergar além do seu mundo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dentro da poesia de Mah Luporini encontro, entre os seus pequenos poemas, coisas muito boas como:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;u&gt; &lt;strong&gt;Ausência&lt;/strong&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Bebo o vinho da noite&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esqueço quem sou&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Perco-me em&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ausências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Gostei desta figura de "beber o vinho da noite", embriagar-se daquele momento silêncioso e se esquecer de tudo, perder-se em ausências, perder-se na falta de tudo, onde tudo e todos são ausentes. Então aí temos&amp;nbsp;os temas muito explorados pela poeta como o silêncio (13 em 40 poemas remetem ao silêncio, à necessidade de não ter som ou de se calar), a si mesma e suas próprias ações&amp;nbsp;(bebo, esqueço, perco, ) e às ausências na vida, das coisas, das pessoas, dos amores que tanto afligem o coração da poeta. Completando tudo em outros poemas como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;u&gt; &lt;strong&gt;Insônia&lt;/strong&gt;&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Rendas silenciosas&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tecem a noite, outono de púrpuras,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sob águas cristalinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Completa a ideia das coisas que estão acontecendo enquanto as pessoas estão dormindo, e também um outono, algo aguardando a primavera escondida nas águas cristalinas, talvez algo que irá surgir deste silêncio, desta noite, uma paixão (púrpura)?. E depois, da noite e do silêncio, depois desta espera pela primavera, encontramos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;strong&gt;&lt;u&gt;Identidade?&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Clara manhã&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tímido azul...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sou alguém que não conheço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Então, apesar de eu ter visto o excesso de uma poesia intimista, de voltar-se para si mesmo, de acreditar que é necessário à poeta sair do casulo e expor-se para encontrar as oportunidades do mundo, penso, também que o livro tem a qualidade da coerência, da proposta de mostrar este eu poético, de apresentar este eu em silêncio, em horas noturnas, de distanciar este eu do mundo real e buscar a essência desta vida. Infelizmente, o ser humano, além de ser poético é ser social e, enquanto sobra a autora o "eu poético",&amp;nbsp;falta-lhe, por enquanto, o ser social, a sua relação com o mundo real.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-664817335159113228?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.mahluporini.blogspot.com' title='AUSÊNCIAS DE MAH LUPORINI'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/664817335159113228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=664817335159113228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/664817335159113228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/664817335159113228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2011/11/ausencias-de-mah-luporini.html' title='AUSÊNCIAS DE MAH LUPORINI'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BXKjfAYpho0/TrSCLF1uvyI/AAAAAAAAACY/DCzQtkMwTrE/s72-c/img002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-4351193312806282563</id><published>2011-10-29T19:01:00.000-02:00</published><updated>2011-10-29T19:01:20.782-02:00</updated><title type='text'>O CIENTISTA E A POETA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-6ZI8pK2XtS8/Tqxox2zI_GI/AAAAAAAAACI/PJWTSffADhE/s1600/img026.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; height: 119px; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em; width: 184px;"&gt;&lt;img border="0" height="132" ida="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-6ZI8pK2XtS8/Tqxox2zI_GI/AAAAAAAAACI/PJWTSffADhE/s200/img026.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Mírian Menezes de Oliveira lançou recentemente o livro "O&amp;nbsp; Cientista e a Poeta", cujo exemplar impresso trouxe novidades no formato e manteve formas poéticas conhecidas. Explico: o livro foi impresso de forma a ser lido na horizontal das páginas e não na vertical igual a todo livro. Além disso, foi escrito em letra cursiva e vem recheado de desenhos curiosos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Segundo a autora o livro nasceu após um estudo sobre transdiciplinaridade que a entusiasmou. Ela já possuía uma alma de poeta e ao mesmo tempo de cientista, daí o título. Voltando ao assunto, após estes estudos, ela colocou-se a escrever porque os assuntos vinham e precisavam transferir-se ao papel.&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sendo esta a primeira experiência poética, acredito que a Mirian antecipou-se demais ao tempo do poeta, pois a poesia exige um cuidado diferente. Transcrever os sentimentos é somente a primeira parte do trabalho poético, isto ela fez bem. Há tantas outras coisas envolvidas num trabalho de poesia além da simples transcrição dos sentimentos, sensações e observações sobre o mundo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O livro vale por esta explosão de sentimentos e pela necessidade de expressão que todos temos. Infelizmente, ainda está longe de um trabalho poético verdadeiro, que deve levar em conta algo mais.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Assim temos poemas longos, com frases compridas, discutindo temas, expondo as ideias da autora como logo no início do livro com "Teorema Poético-Científico" em que lemos:&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;"a partir de agora, o cientista e a poeta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;(poetisa é muito açucarado) se&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;fundirão no caldeirão da existência". &lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Vemos que a&amp;nbsp;forma colocada para os versos é uma afirmação, faltando-lhe os elementos poéticos como&amp;nbsp;as figuras de linguagem, metáforas, dissimulações, ausências, dubiedade de significados. Outro exemplo está em "Poema da Relatividade" em que ela escreve:&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;A grama vista da janela &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Quando bate o vento,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;não é grama...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;É mar!&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ou seja, ela já conta tudo, tira o sabor da imaginação, dos diversos rumos e significados que uma palavra atinge. Faz uma poesia com poucas figuras de linguagem, poucas variações e sem uma dor. Uma poesia bastante contemplativa. Apesar disso, consegue ao longo livro, iniciar-se numa crítica social percebendo a redução do homem a objetos e coisas produzida pelo sistema econômico-social vigente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Acredito que ela deve aprimorar-se ao longo dos anos ao pensar o trabalho poético&amp;nbsp;com muito mais&amp;nbsp;variáveis. O trabalho poético na sua essência é a expressão do sentimento do ser humano&amp;nbsp;em relação ao meio em que ele vive, sendo assim, a poesia deve considerar os sentimentos mais vitais em primeiro lugar, depois, o meio da vivência do poeta, em seguida, as contradições, figuras de linguagem, crítica, e sem esquecer que é necessário ver, ler, analisar o trabalho que os pares poéticos fazem para poder compreender o momento artistíco atual.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sendo assim, apesar de eu não gostar de repetições para marcar definições num poema, fico com o seguinte poema, como um dos mais significativos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; HOMEM-RÓTULO OU LOGO-HOMEM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Homem-rótulo&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Homem-síntese&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Homem-marca&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Logo-homem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Homem predestinado&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Homem etiquetado&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; Homem resumido &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Logo-homem&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; com tarja preta&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; ou vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O mais interessante é pensar que este poema ficaria muito mais forte se fosse menor, numa livre adaptação e sem querer modificar o estilo poético, a autora poderia cortar o poema, aproveitar apenas a essência das palavras&amp;nbsp;e escrever:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Logo-homem&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Homem-rótulo&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com tarja preta&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ou vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pois assim já diria tudo&amp;nbsp;o que ela queria, a transformação das pessoas em coisas com muitos rótulos, marcas, logotipos, ao mesmo tempo que não percebem o perigo deste vício, em que faz alusão às tarjas pretas e vermelhas das embalagens de remédios que podem viciar. Em poucas palavras vem muita coisa à mente, deixando o leitor interpretar à sua maneira, dentro da sua experiência.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Espero mais de Mírian Menezes e acredito que ela tem este potencial. Aguardaremos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-4351193312806282563?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/4351193312806282563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=4351193312806282563' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/4351193312806282563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/4351193312806282563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2011/10/o-cientista-e-poeta.html' title='O CIENTISTA E A POETA'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-6ZI8pK2XtS8/Tqxox2zI_GI/AAAAAAAAACI/PJWTSffADhE/s72-c/img026.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-7855787687080787301</id><published>2011-10-22T19:43:00.002-02:00</published><updated>2011-10-29T19:11:20.976-02:00</updated><title type='text'>PREFÁCIO DE POEMAS DO SUBSOLO</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em 20 de Outubro de 2011, José Moraes lançou sem livro mais recente "POEMAS DO SUBSOLO", prefaciado por Fernando Scarpel. Segue o prefácio do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-b8Xk6lF1lx0/TqxrDFiVsHI/AAAAAAAAACQ/uG9rMaBcqXo/s1600/img027+%25283%2529.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" ida="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-b8Xk6lF1lx0/TqxrDFiVsHI/AAAAAAAAACQ/uG9rMaBcqXo/s200/img027+%25283%2529.jpg" width="138" /&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; POEMAS DO SUBSOLO dá continuidade ao excelente trabalho que o poeta Moraes desenvolve desde FRAGMENTOS URBANOS, seguido de POEMAS RAREFEITOS, mas, para compreendermos e entendermos a complexidade deste trabalho temos de colocar em mente a dimensão do ser humano diante de uma cidade devoradora de costumes, tradições, sentimentos, meio ambiente. Precisamos considerar a relação da cidade de São José dos Campos com o homem José Moraes Barbosa que enxerga como o excesso do concreto sobre o ser humano, o concreto que esmaga e destrói mais do que constrói coisas belas (lembrando até Caetano Veloso). Esta é&amp;nbsp;a poesia por trás dos poemas de Moraes. Ele vê a cidade se transformando e esmagando seus habitantes, destruindo a alma humana; como exemplo temos &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O CONCRETO É RETO&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;CURVO ÁRIDO ERETO&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;INQUIETO AQUIETA&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Vemos que, além de falar da característica física e visual do Concreto (Reto, árido, ereto), também lhe dá dimensão de falta de sentimento (árido) e indiferença (ereto), apesar disso, mostra que não para (inquieto), mas, quando diz inquieto, ao mesmo tempo, quer dizer que ele representa a sociedade que insiste em erguê-lo, em continuar transformando a cidade em concreto e, quando diz aquieta, não quer dizer que ele para, mas que ele sufoca o ser humano dentro dele, aquieta o ser humano, aquieta o homem que, ao habitá-lo obriga-se a aceitá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "Interstício", outro excelente poema deste livro, enxergamos outra relação importantíssima do trabalho deste poeta que é a visualização do seu poema, a poesia do concreto visualizada num poema concreto, vem-me à mente a imagem do bairro joseense Jardim Aquarius quando estamos observando-o do alto da Vila Betânia, mais exatamente quando o visualizamos vindo de carro pelo Anel Viário, sentido centro-bairro e vemos aquele amontoado de prédios, com suas janelas surgindo como se fossem uma cadeia de montanhas, mas é acúmulo de concreto, lindamente traduzido neste poema, tanto na sua forma visual quanto na sua forma textual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta relação entranhada do homem com a cidade, do homem com&amp;nbsp; o mundo é a poesia concreta de Moraes, que denuncia as prostitutas de rua, os menores abandonados, os relacionamentos efêmeros criados no mundo moderno e suas novas tecnologias que, a pretexto de libertar, prendem ainda mais o ser humano dentro de um ambiente virtual e irreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este aspecto não é o único que devemos destacar na poesia de José Moraes, há de se notar a sua relação com a palavra como modificadora de pensamento, a palavra em seus aspectos visuais, na letra original deste poeta podemos perceber mais claramente o aspecto visual. Fora que as quebras que ele propõe também fazem parte de sua poesia, uma parte da palavra em uma linha, outra na linha de baixo, obriga-nos a ler o poema de maneiras diferentes, como uma frase única, como frases diversas, com cada palavra separadamente com seu significado que, juntas, tem outro. O que me remete a uma pequena diferença deste livro para os anteriores, neste ele volta a utilizar mais verbos em sua poesia, a dar mais ação, o que me traz o seguinte aspecto desta, se assim podemos dizer, trilogia poética que se forma entre "Fragmentos Urbanos", "Poemas Rarefeitos" e "Poemas do Subsolo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "Fragmentos Urbanos" vemos o poeta tentando compreender a cidade onde existe, juntando suas faces e personagens, em "Poemas Rarefeitos", o poeta, abusando de não usar verbos, parece apenas refletir sobre o ambiente, parece em estado de transe, sem saída, sem ação, apesar de que a verdade é o estado de reflexão sobre o mundo. Agora, em "Poemas do Subsolo", traz tudo isso à tona, mais verbos, mais ação, extrai deste subsolo urbano a sua contestação e expõe aos habitantes da urbe e insiste em fazer poesia, em construir o seu mundo em cima deste mundo de concreto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-7855787687080787301?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/7855787687080787301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=7855787687080787301' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/7855787687080787301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/7855787687080787301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2011/10/prefacio-de-poemas-do-subsolo.html' title='PREFÁCIO DE POEMAS DO SUBSOLO'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-b8Xk6lF1lx0/TqxrDFiVsHI/AAAAAAAAACQ/uG9rMaBcqXo/s72-c/img027+%25283%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-6926940583747374182</id><published>2011-07-31T10:43:00.000-03:00</published><updated>2011-07-31T10:43:14.326-03:00</updated><title type='text'>SELF - PROFESSOR WILSON</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O professor Wilson Roberto, membro da Academia Joseense de Letras, lançou o livro &lt;strong&gt;"Self"&lt;/strong&gt; por ocasião do Festival da Mantiqueira deste ano. É um livro de poesia clássico, não quero dizer&amp;nbsp;pertencente ao classicismo mas clássico no sentido do que o pensamento médio entende de um poeta e poesia: para a grande maioria das pessoas, o poeta é&amp;nbsp;aquele indivíduo usa muito o lirismo, o eu lírico, e que escreve difícil,&amp;nbsp;usa versos muitas vezes rebuscados (como o Wilson mesmo diz em que "uso sinéreses, diéreses, hiatos e elisões numa forma que pode ser criticada por alguns metrificadores mais arraigados à tradição, nos quais, por vezes, procurei impor a cadência que desejei e, por outras, fui conservador..."). Neste livro, Wilson&amp;nbsp;foi conservador o tempo todo pois não ousou no formato e nos temas, ateve-se a um formato ora moderno, ora romântico, ora clássico, em suas sinéreses (transformação de um hiato em ditongo), diéreses (o contrário, o ditongo vira hiato), suas elisões (elidir é suprimir, retirar letras de uma palavra).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele foi romântico em excesso ao longo do livro ao tratar da Morte,&amp;nbsp;tema preferido dos românticos do século dezenove, começa no primeiro poema e vem ao longo de todo o livro, a primeira estrofe do primeiro poema é um resumo do livro, ao ler:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;em&gt;&lt;strong&gt; "Inconteste fim de minha carne que,&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; de inevitável, te tornaste esperada.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cessar aterrorizante das sensações,&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; serás por mim esquecida&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; no momento de teu toque."&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; é rebuscado, romântico e clássico, muitas vezes até parnasiano, só não é 100% tudo isso porque os&amp;nbsp;seus versos têm métricas&amp;nbsp;variadas e assim vai ao longo do livro.&amp;nbsp;Não posso negar, dentro deste raciocínio, que o&amp;nbsp;livro é muito bem escrito mas achei que houve, em alguns momentos, uma ou outra deslizada, por exemplo em um verso de &lt;strong&gt;"Sonetos de Bagdá"&lt;/strong&gt; em que escreve no segundo soneto:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;"se batalho do modo certo ou do errado;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; se tornei-me herói, mártir ou simples tarado."&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/em&gt;ainda que a expressão tenha sentido no poema, é estranho lê-la, ou no terceiro soneto, uma interessante e rebuscada figura de dar inveja:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;"mas os ígneos plúmbeos pirilampos ateus"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/em&gt;compreendo que ele se&amp;nbsp;referia às balas de um revólver&amp;nbsp;no poema, é bonito, mas é rebuscado demais.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/em&gt;Então, ao longo do livro, vamos lendo uma constante luta interior entre a Vida e a Morte, a Ciência e a Religião, a Dor e a Saudade, onde não consegui entender se ele é contra ou a favor da fé, se quer a morte ou se quer a vida, se está feliz ou triste, sempre nesta falta de definição, como se fosse um luta interna.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Outro tema que me chamou a atenção é a palavra "puta", bastante utilizada pelo poeta ao longo do livro, não sei se era necessário tanto uso do palavrão, e notei que poucas vezes ele falou das mulheres de outra maneira nos seus poemas,&amp;nbsp;procurei algum que enaltecesse a mulher de outra forma e não encontrei, falha do poeta nestes tempos politicamente corretos ou vontade de ir contra estes tempos? Não sei. A entender ainda este aspecto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez com o fim de mostrar seu conhecimento literário,&amp;nbsp;inegavelmente vasto e diverso, Wilson colocou muitos poemas&amp;nbsp;no livro como&amp;nbsp;as livres adaptações do poema "O Corvo" de Edgar Alan Poe e outro poema de Luis de Góngora y Archote de 1602, além de uma curiosa "Canção do Martírio" parodiando a Canção do Exílio, como a querer mostrar todas as suas qualidades poéticas,&amp;nbsp;deste jeito o livro, como um todo, deixou a desejar por não ter um foco. O foco foi a quantidade e não a seleção,&amp;nbsp;no geral,&amp;nbsp;evitou a experimentação, escrevendo versos com pouca inovação na forma e no uso da palavra, mesmo em alguns momentos em que ousou um pouco mais, não conseguiu atingir um poema que debatesse com vigor o mundo atual, a relação do homem com o consumismo, com a violência, ou que leve a uma reflexão maior do mundo urbano&amp;nbsp;em que vivemos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Apesar da quantidade de poemas,&amp;nbsp;faltaram emoções mais fortes, debate, discussão, tomar partido de algo com profundeza. Ficou mais no debate sobre a morte e a religião. O que não deixa de ser um reflexo, neste ponto, da sociedade moderna em que a religião&amp;nbsp;ganha cada vez mais força, não que Wilson tome partido da religião, mas coloca este debate quando se confronta com a Morte, afinal, é do confronto com a morte tão inexplicável quanto certa que a religião tenta dar sentido à vida humana.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os poemas com linguajar caipira podem ser considerados valeparaibanos, mas acho que seria caricaturizar o caipira valeparaibano. Apesar de que em "Soneto Caipira" (o uso do soneto, forma clássica)&amp;nbsp;ele lembra da tristeza do caipira com as mazelas do progresso industrial, carrega uma das características do Arcadismo, em que o homem devia fugir da urbanidade e se voltar ao agrário e pastoril. Acredito que o Vale do Paraíba é uma região complexa e que a figura do "caipira", quase extinta, não representa o atual momento da região, muito urbanizada, industrial e violenta.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em "Civitano de La Mondo", Wilson resolve fazer a demonstração de que o cidadão de São José dos Campos é um cidadão do mundo, ficou interessante mas sinto ausência de algo mais forte no poema.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ficou a sensação de que li uma aula de história da poesia, em que passeei por diversas escolas literárias, mas o poeta ficou devendo o experimentalismo e a inovação no fazer poético.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Houve esta experimentação nos Nanocontos mas, ainda neste campo (talvez minhas observações estejam influenciadas pelo que li da poesia), o poeta precisaria ler os autores de vanguarda nesta área, aliás, poderia ler seu xará, Wilson Gorj, autor que já comentei neste blog, que faz o microconto com maestria.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Resumindo, o uso de formas mais clássicas, do lirismo, da preocupação com vida e morte, transformaram o livro em poético mas não ousado ou experimental, não foi um livro inovador do fazer poético. faltou esta ousadia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-6926940583747374182?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.superradiopiratininga.com.br/falandolingua' title='SELF - PROFESSOR WILSON'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/6926940583747374182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=6926940583747374182' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/6926940583747374182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/6926940583747374182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2011/07/self-professor-wilson.html' title='SELF - PROFESSOR WILSON'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-6967270206536455920</id><published>2011-06-10T16:03:00.004-03:00</published><updated>2011-06-10T16:27:00.936-03:00</updated><title type='text'>NO RELÓGIO DA COLINA</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No Relógio da Colina é um livro bem escrito, uma história articulada sem dar grandes sustos no leitor, em que o autor ainda reserva uma grande surpresa no último capítulo com a intenção de fechar a história com chave de ouro. Para mim, soou como um romance&amp;nbsp;turístico, ou um&amp;nbsp;policial incompleto. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tem todos os ingredientes perfeitos para um romance adolescente, há o bom moço, ou príncipe encantado, aquele cara capaz de resolver problemas fantásticos, sobe rapidamente na vida.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há a mocinha linda, branca, cabelos pretos e olhos claros,&amp;nbsp;maravilhosa que, no momento em que o mocinho a conhece ele sabe que é a paixão da vida dele, é amor à primeira vista. É recíproco para ela.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aí passamos para o romance turístico, o autor descreve os dois passando bons momentos juntos em Graz e Viena.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois, vem a parte mais misteriosa, em pouco tempo, questão de horas, o mocinho descobre toda a trama, passa de uma desconfiança para a certeza e a explicação do mistério num clique, como se tudo fosse&amp;nbsp;muito fácil de se conseguir, bastam alguns telefonemas, umas consultas pela internet e pronto, o mistério foi&amp;nbsp;resolvido. E ele é capaz de acusar com todas as provas um dos mais importantes diretores da empresa multinacional.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fora isso, algumas partes soam muito inverossíveis como o momento em que o amigo advogado consegue a foto necessária para provar a sabotagem em um carro. O mocinho liga às 18:30 de sexta-feira para o Brasil, com quatro horas a menos, então, às 14:30 no Brasil, para o advogado descobrir onde está o carro acidentado e se ele foi sabotado. E o advogado, que não tem nada para fazer, lógico, não trabalha, estava lá só para isso, em São Paulo, sexta-feira à tarde, não tem trânsito e nem gente mal humorada, aí ele descobre o processo, o fórum, o laudo, o carro e consegue tirar fotos da sabotagem até sábado, seis horas da manhã. É demais. Outra parte é o momento em que a mocinha consegue, com alguns telefonemas, os relatórios de despesas de dois anos da multinacional toda em apenas algumas horas, consegue analisar e descobrir o culpado de pagamentos fantasmas! É uma dupla dinâmica, se os dois trabalhassem para a polícia federal, acabavam com os crimes no Brasil em seis meses.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os personagens principais são tão certinhos e tudo acontece tão bem que eu fico pensando como é que tem gente com ideia de fazer maldade neste mundo, porque vai se dar mal. O mocinho não tem nenhum conflito de consciência, apenas a certeza de que ele deve fazer tudo daquele jeito, que é o jeito certo, claro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Apesar destes detalhes, o livro funciona muito bem como uma aventura adolescente, um romance rápido para se ler sem entrar em temas duros e cruéis, há um vilão escondido o tempo todo que se revela só no final, em que o mocinho não precisa explicar nada para a polícia, tudo está ali fácil e entendido.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Então o livro fica só como aventura mesmo. Não é uma literatura profunda e nem reflexiva sobre o mundo industrial e capitalista. É só aventura. Acredito até que esta foi a proposta mesmo do autor, escrever um livro de aventura, apenas isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-6967270206536455920?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://danielpedrosa.com.br/' title='NO RELÓGIO DA COLINA'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/6967270206536455920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=6967270206536455920' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/6967270206536455920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/6967270206536455920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2011/06/no-relogio-da-colina.html' title='NO RELÓGIO DA COLINA'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-2932826081950254444</id><published>2011-02-18T17:15:00.002-02:00</published><updated>2011-02-23T22:26:20.665-03:00</updated><title type='text'>A Minhoca ou o Chocolate? Que o galo decida.</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como eu já afirmei aqui antes, eu sou apenas um leitor interessado em poesia, querendo compreender e registrar de alguma maneira este momento poético porque passa nosso Vale do Paraíba e demorou um pouco para eu entender o livro "Minhoca de Chocolate" do músico e poeta Léo Mandi.&amp;nbsp;Foi uma leitura difícil porque seu estilo causou-me estranheza, a começar do título: "Minhoca de Chocolate". Confesso que as expressões utilizadas pelo autor são incomuns, muitas vezes beirando visões oníricas, lembrando-me de poetas&amp;nbsp;que fizeram uso&amp;nbsp;substâncias químicas&amp;nbsp;para obter resultados novos e diferentes na poesia, acredito&amp;nbsp;que não é este o caso deste autor, mas sua escrita foi incômoda. Não é fácil entender poemas como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"Berro Mergulho"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O vê de luz nas mãos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;As borboletas laranjas astrais&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;As pedras&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Magnéticas do poder do chão&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;A dupla de urubus nas rádios das matas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O berro mergulho na água de húmus&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Somos seres Sol Vagens&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aos poucos, fui compreendendo que Léo Mandi não escreve somente e exatamente um poema, porque poesia exige significados diferentes, várias interpretações para a mesma palavra dentro do poema e&amp;nbsp;o uso de&amp;nbsp;figuras de linguagem. A linguagem de Léo Mandi é feita como se fosse uma prosa, uma crônica que, apesar de estar elaborada na página em forma de versos, nem sempre deve ser lido como&amp;nbsp;poesia. Muitas vezes é uma crônica poética, uma prosa poética, como, por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; "&lt;strong&gt;Churrasco de Carrasco"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O isqueiro&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;substituiu o palito de fósforo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;é um empresário fora de forma&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;na minha mão&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Precisa ter a cabeça&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;rodada para trás&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;para cuspir o fogo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;O calo do meu dedo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;roça com força&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;a cabeça do empresário&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;o empresário havia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;contratado um homem forte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;que era uma árvore brutal&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;e produzia peças raras&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Até que o homem contratado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;se tornou um palito de fósforo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E, o empresário o queimou&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Eu peguei o empresário&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;emprestado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;para comprar alcool&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;e acender meu carvão&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Para mim, o poema acima é uma prosa, uma crônica, que ficaria melhor se fosse escrita como tal, e ficaria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"O isqueiro substituiu o palito de fósforo, é um empresário fora de forma na minha mão. Precisa ter a cabeça rodada para trás para cuspir o fogo. O calo do meu dedo roça com força a cabeça do empresário.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O empresário havia contratado um homem forte que era uma árvore brutal&amp;nbsp;e produzia peças raras. Até que o homem contratado se tornou um palito de fósforo&amp;nbsp;e o empresário o queimou. Eu peguei o&amp;nbsp;empresário emprestado para comprar alcool e acender meu carvão".&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aí vemos outra característica que é a de simplesmente relacionar um objeto com uma história, neste caso foi o isqueiro, mas ele fez o mesmo com folha de papel, árvore, porta, dobradiça&amp;nbsp;e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Podemos ver também muita referência a elementos da natureza e ao sexo em seus poemas, levando-nos a um ambiente mais primitivo,&amp;nbsp;contrapondo-se ao ambiente urbano, conflitando com a metrópole. No geral, não pude entendê-lo como um livro de poesia, é um livro poético, mas não é de poesia em sua totalidade. Isso não quer dizer que não haja poesia, em alguns momentos, temos bons poemas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"Não arraste"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não quero seu resto&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Atropelando meu rastro&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;De cometa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Você não é a única coisa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que me resta.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pai&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pai&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pai&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pai&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Pai&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sagem&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em que parece que ele está batendo (Pá, pá, pá) na cabeça do pai para ver se o pai tira a cara de paisagem que faz para o filho, um poema interessante e bom que se aproxima da poesia concreta que o poeta Moraes faz, sem verbos mas com ação visível.&lt;br /&gt;ou ainda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Poros Pulsa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Sou o pulso&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Que perfura&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Não o poço&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Perfurado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Este poema acima é a intenção do poeta de perfurar com a palavra e com o fazer artístico as noções pré concebidas que temos de poesia e poema, pois ele escreve mesmo de forma diferente,&amp;nbsp;mas, apesar da estranheza que algumas frases me causaram, como por exemplo, nos poemas &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; "Escrever" &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; "Escrever com a pata/ do cão/ com o pelo do rabo/ Escrever sem saber o/ que é tinta/ Escrever sem pensar/ Igual a pele grudada / na pinta"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; "&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Mijo Santo" &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; "A água que cai da torneira/ e enche minha caneca/ Clara de alumínio/ é um mijo santo/ Vou passar o café/ daqui a pouco/ o mijo santo/ vai virar/ mijo preto/ com a minha/ fé"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que me ficou mais marcado é a falta de preocupação com os versos, pois ele colocou todos os tipos e tamanhos de versos que quis, a falta de unidade do livro que tem uma temática diversa, a preocupação de causar estanheza, parecendo-me que foi mesmo proposital usar esta linguagem ("mijo santo", "mijo preto","a vagina é um barco", "pelo do rabo", "miolo de pau ardendo, torradeiras de bunda de inseto", "berro mergulho"). Tudo isso é um jeito que não estou acostumado a ler.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No entanto, acredito que a manifestação deste livro é bastante interessante do ponto de vista do diferente. O formato&amp;nbsp;dos versos, a falta de coesão e a temática fazem parte de uma visão da sociedade muito particular do autor, a mim é estranho mas, ao mesmo tempo, é fascinante tentar enxergar o que ele quer dizer, parece um quebra-cabeça, pode ser que ele queira mesmo dizer coisas que eu ainda não absorvi, pode ser que ele não queira dizer coisa com coisa, e que tudo seja proposital, ou não. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Talvez Léo Mandi devesse ter, além desta preocupação de escrever diferente, também de trabalhar cada poema, retirando os excessos e as repetições de palavras de dentro do mesmo poema, como no exemplo acima, "Churrasco de Carrasco" em que usa a palavra "empresário" repetidas vezes. Isto aconteceu em outros poemas e poderia ser um objeto de mais dedicação do autor evitar esta repetição.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O fato maior é que este livro incomoda, causa estranheza e nos tira das&amp;nbsp; palavras fáceis do nosso dia, causou-me desconforto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas este desconforto, esta estranheza, eu sei que é muito importante dentro do fazer poético da cidade pois esta voz dissonante pode gerar outras formas de música, até que venhamos a compreender melhor as mensagens que o autor externaliza e deseja passar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu ainda fui encontrar uma ligação dos galos do Léo Mandi com o galo de&amp;nbsp;João Cabral de Melo Neto no poema "Tecendo a manhã" em que diz que "Um galo sozinho não tece a manhã: ele precisará sempre de outros galos", seja o garnizé, o carijó ou o índio, espero que o galo Mandi continue cantando para que os outros teçam a manhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-2932826081950254444?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/2932826081950254444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=2932826081950254444' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/2932826081950254444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/2932826081950254444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2011/02/minhoca-ou-o-chocolate.html' title='A Minhoca ou o Chocolate? Que o galo decida.'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-1504552782722103292</id><published>2011-01-07T16:10:00.002-02:00</published><updated>2011-01-08T11:46:32.615-02:00</updated><title type='text'>AQUI ESTÃO OS TIGRES</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pablo Gonzalez lançou um livro intrigante e interessante chamado "Aqui estão os tigres".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Trata da história de um desenhista que está com dois problemas urgentes, o primeiro junto às autoridades após um acidente de trânsito e o segundo é&amp;nbsp;o término do romance com a sua ex-namorada. Todo o livro gira em torno destes problemas que parecem insolúveis para Valentino. Pensando mais a fundo, o problema maior do personagem não é resolver o assunto do acidente ou com a namorada, mas resolver a si mesmo quando é chamado à realidade (que se recusa a enfrentar)&amp;nbsp;e ao convívio social, pois vive num mundo de fantasia e escapismo, com medo de entrar no mundo real,&amp;nbsp;pois este lhe traz dor,&amp;nbsp;medo e insegurança, sendo incapaz de assumir o seu amor por Celine. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vejo mais o livro dentro do embate entre o sonho e a fantasia e a realidade, de certa forma, um embate presente no mundo moderno em que as pessoas parecem mais e mais voltadas a fugir da realidade através de diversos meios, como as&amp;nbsp;das drogas ou&amp;nbsp;o computador, pois este apresenta uma realidade virtual mais interessante pois ausenta o indivíduo da dor.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pablo Gonzalez, escreve&amp;nbsp;de forma incomum pois ele não utiliza os recursos clássicos dos romances, fugindo&amp;nbsp;do esquema: "descrição do ambiente e do protagonista, fato que altera a história, resolução do problema", pois procura muito mais a análise psicanalítica do personagem, construindo um indivíduo ambíguo e inconstante, reflexo do mundo atual. No livro, ele deixa o problema sem solução, temos que depreender o ambiente e não conseguimos fazer uma idéia exata do protagonista. Confesso que é uma escrita que causa um desconforto inicial mas, nem por isso, deixa de ser interessante e renovadora.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No primeiro momento ao&amp;nbsp;usar a fala de um "fantasma"&amp;nbsp;usa um artifício interessante&amp;nbsp;para apresentar o personagem, tanto porque quem apresenta a questão não existe (é um fantasma), quanto porque uma questão importante é o medo que o protagonista tem de viver, e, por isso, busca um mundo de sonho que existe apenas nos seus desenhos (poderia ser no seu computador ou nas drogas, como já disse). Somado a isso, o fato de usar uma fala sem pontuação&amp;nbsp;transforma este capítulo em&amp;nbsp;uma experiência do leitor para dar o ritmo que ele desejar. Gostei deste recurso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Assim, Pablo vai lançando as questões para que nós as resolvamos, temos medo de viver neste mundo? Fugimos dele? Desejamos escapar através de alguma maneira que não precisemos sentir dor?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Gostei do&amp;nbsp;estilo da&amp;nbsp;narrativa, é bem envolvente,&amp;nbsp;bem escrito, os parágrafos são bem trabalhados, a construção das histórias que permeiam o livro são bem feitas,&amp;nbsp;tanto que não consegui sossegar antes de terminar o livro todo.&amp;nbsp;Gostei das várias situações. No decorrer da leitura, confesso que me&amp;nbsp;perdi&amp;nbsp;com&amp;nbsp;elas e não conseguia mais distinguir o que era realidade&amp;nbsp;e ficção na vida do Valentino, então, comecei a ler de outra maneira, sem me preocupar com a realidade proposta,&amp;nbsp;a partir daí, a história começou a tratar do caminho da loucura em que o Valentino seguia&amp;nbsp;e foi fluindo ainda mais&amp;nbsp; fácil&amp;nbsp;quando&amp;nbsp;comecei a entrar no jogo de situações, nas probabilidades impossíveis sem pensar qual era o sentido.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um momento do livro que me agradou demais e me fez sentir a qualidade do autor foi a fantasia do Valentino que troca de corpo com Celine e o livro começa a ser descrito pela visão de mundo da Celine, foi fantástico este momento e me deixou com a certeza de que temos um grande autor ao nosso lado. Só lendo o livro para compreender.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De certa forma, a multiplicidade do pensamento do Valentino tem a ver com a multiplicidade de escolhas do mundo atual e este pareceu o maior conflito do personagem, diante de tantas escolhas e possibilidades para a própria história que o mundo atual oferece, qual caminho o personagem deveria tomar? Ao pensar em tantas escolhas,&amp;nbsp;Valentino se perdia e se conduzia à loucura. Mesmo porque, ninguém no mundo quer fazer as escolhas erradas ou que lhe causem dor, mas precisamos fazer estas escolhas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Assim, Pablo Gonzalez tenta mergulhar na alma do personagem, decifrar esta quantidade de escolhas que ele tem para fazer, analogamente, podemos dizer que a vida do Valentino é como o mundo, cheio de escolhas, cheio de rumos, cheio de desejos, mas a questão é como escolhemos o caminho que vamos seguir? Qual é a escolha certa? Qual é a atitude correta?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Recomendo o livro com a certeza de que Pablo Gonzalez faz parte de um seleto rol de excelentes autores do nosso Vale.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-1504552782722103292?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.pablogonzalez1.blogspot.com/' title='AQUI ESTÃO OS TIGRES'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/1504552782722103292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=1504552782722103292' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/1504552782722103292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/1504552782722103292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2011/01/aqui-estao-os-tigres.html' title='AQUI ESTÃO OS TIGRES'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-4439311048554260561</id><published>2010-11-04T15:26:00.005-02:00</published><updated>2010-11-06T18:01:15.544-02:00</updated><title type='text'>O Bebedor de Auroras</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Tonho França lançou o belo livro "O Bebedor de Auroras", em que nos traz uma poesia lírica muito bem trabalhada, em que ele usa diversos recursos de estilo para dimensionar sua visão do mundo moderno vinculado a sua visão íntima de poeta repleta de aspectos valeparaibanos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Farei a leitura de alguns poemas e trechos de poemas &amp;nbsp;numa tentativa de explicar este poeta complexo e completo, começa no seu primeiro poema, constante de apenas dois versos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;b&gt;&lt;i&gt;Enquanto Sonho&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;i&gt; Teço versos que a manhã&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;verte anônimos entre os homens.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; A primeira lembrança que me trouxe este poema é uma referência ao poema "Canção Amiga" de Carlos Drummond de Andrade em que escreve nos versos finais "Eu preparo uma canção/ que faça acordar os homens/ e adormecer as crianças" porque tecer versos e preparar uma canção são semelhantes mas enquanto Drummonnd tem este característica de impactar (acordar os homens), Tonho França vem se inserir sem alarde, querendo, ao mesmo tempo, participar da humanidade com o seu canto, aqui, já começamos a ver um recurso interessante que Tonho utiliza, ao usar "a manhã" ele pode indicar também o "acordar os homens", ou "amanhã" como um tempo futuro, de qualquer maneira, ele faz esta relação de herança entre o modernismo de Drummond e a atualidade da sua poesia.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Na sequência, vem com "&lt;b&gt;&lt;i&gt;Tons de Maçã com Canela (tardes sem rotas e destinos)"&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; em que ele coloca muitas das características e dos temas que vão permear todo o livro, que são o uso de figuras estilisticas combinadas como, por exemplo, a prosopopéia, a metáfora e a sinestesia nestes belos versos da primeira estrofe do poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;i&gt;"Colho manhãs plenas de interrogações&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;as minhas roseiras despertam mais cedo&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;meus olhos, mais cansados, deságuam&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; no verde claro-infinito do capim-cidreira."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/i&gt;Tonho França usa e abusa com maestria de todos os recursos estilísticos possíveis sem cair em armadilhas &amp;nbsp;fáceis, ao contrário, usa com propriedade e cuidado para criar suas alegorias da vida humana, do tempo que passa, da solidão dos homens no seu mundo. Interessante é observar que o poeta não fala de Deus ou de religião mas escreve cada verso com beleza e significado que se aproxima de algo divino, no sentido de algo que nos enleva e eleva a outro patamar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Voltando a falar de características dos seus poemas, é importante frisar o ritmo que ele impõe, onde temos o exemplo a seguinte estrofe do terceiro poema do livro, &lt;b&gt;&lt;i&gt;"Sobre noites e poesia":&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;i&gt;"O tempo não é senhor de tudo&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;O tempo não apaga tudo&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Até muda o humor das marés e dos homens&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Cercas e soberanias, domínios e propriedades"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Concentremo-nos nos fonemas utilizados: "tem", "tu", "tem", "tu", "mu", "mor", "rés", "mens", "cer", "ni", "mí", "da" e temos o ritmo que ele coloca no poema, estas repetições vão acontecendo nos poemas de forma que dá um ritmo muito agradável. Além disso, recorrendo a mais uma estrofe do mesmo poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; "&lt;i&gt;Tantas coisas em meu coração,&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Intangíveis por isso minhas&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; E só minhas são&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; E só minhas são"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; É muito interessante este jogo de "por isso minhas", ou "só minhas são", pois, ao falar de quantidade indefinida (tantas coisas), ele brinca com o som de "isso minhas" e de "só minhas" parece ler "sominhas", ou seja, quantidade e soma, ao mesmo tempo, ler "só minhas são" dá a entender "só minha ação", ou seja, só a ação dele que carrega o próprio coração de tantas coisas. É um jogo de palavras extremamente sutil e bem feito.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Já em &lt;b&gt;&lt;i&gt;"Epílogo dos Ventos"&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, usa de assonância para dar este ritmo, como vemos na seguinte estrofe (com os grifos em negrito meus):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;i&gt;"O v&lt;b&gt;en&lt;/b&gt;to hoje &lt;b&gt;não&lt;/b&gt; veio à &lt;b&gt;no&lt;/b&gt;roeste&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; O sol n&lt;b&gt;um&lt;/b&gt; sil&lt;b&gt;ên&lt;/b&gt;cio aver&lt;b&gt;me&lt;/b&gt;lhado grave&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Atreve-se as cores dos &lt;b&gt;me&lt;/b&gt;us roseirais&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; As &lt;b&gt;nu&lt;/b&gt;v&lt;b&gt;en&lt;/b&gt;s d&lt;b&gt;en&lt;/b&gt;sas, t&lt;b&gt;en&lt;/b&gt;sas, faces de t&lt;b&gt;em&lt;/b&gt;porais&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; A noite chega s&lt;b&gt;em&lt;/b&gt; pressa e c&lt;b&gt;om&lt;/b&gt; aroma de definiç&lt;b&gt;ão&lt;/b&gt;-s&lt;b&gt;en&lt;/b&gt;t&lt;b&gt;en&lt;/b&gt;ça&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; O m&lt;b&gt;on&lt;/b&gt;jolo parece bater à pressa dos trovões&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Folhas secas bail&lt;b&gt;am&lt;/b&gt; no ar em pequeninos redemoinhos"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Com isso ele vai dando-nos a impressão do vento, do som da ventania, aguardando a tempestade chegar. Parece mesmo que estamos vendo toda a cena, o sol avermelhado, as nuvens densas, estou ouvindo o monjolo batendo, vendo as folhas no ar, é poesia toda cheia de sensações, sinestésica e cheia de ritmo. Lembrando que ele usou todos os recursos poéticos já citados anteriormente. Não se esgotaria aqui a multiplicidade dos recursos utilizados ao longo de todo o livro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Além disso, a temática poética de Tonho França está centrada no homem e seus caminhos e consequências dos caminhos, onde a frequência do uso das rotas e destinos, potes, compotas, temperos, trazem-nos a idéia do homem que trilha caminhos em busca do que dá prazer e felicidade na vida, não é um prazer fácil, uma vez que os caminhos parecem muitas vezes doloridos "&lt;i&gt;e de nada me adiantariam agora lembranças,/ penitências, alegrias ou arrependimentos/ -Estou recluso nos versos - / E nas minhas dores e culpas/&lt;/i&gt;" de "&lt;i&gt;&lt;b&gt;Autorretrato&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; O tema das rotas ou dos caminhos é bastante explorado sempre em conjunto com o dos sabores/temperos (chá, compotas), vimos em "Tons de Maçã com Canela", "Castelos de Linhas", "Caminhos de Sol", para citar alguns poemas, junto com solidão e tristeza doces, não amarguradas como se poderia pensar, e isto é interessante também.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Outro fato marcante é inserção do Vale do Paraíba na poesia de Tonho França. Em nenhum momento ele cita explicitamente sua origem valeparaibana, mas é tão claro ver isso colocado de forma universal, ou seja, poderia ser de outro lugar porque ele trata dos sentimentos, da vida, do mundo, mas vemos que tem a pitada, a origem valeparaibana quando ele utiliza palavras como procissão, monjolo, romaria, café com pão de manhã, ou em um belo verso de "&lt;b&gt;&lt;i&gt;Artificial&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;", "o&lt;i&gt; mar, desabando séculos de azul, tinge as cordilheiras&lt;/i&gt;", quando ele chama a Serra da Mantiqueira de cordilheira que, vista de longe, é azul. Questões da religiosidade inserida na alma do valeparaibano "e&lt;i&gt; os homens perdidos, rasgam-se em gritos: Rogai por nós!&lt;/i&gt;" de "&lt;b&gt;&lt;i&gt;Noites sem Estrelas&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;", ou virgem, rosário, hóstias em "&lt;b&gt;&lt;i&gt;Canto I&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;" e costumes típicos como manter canteiros e temperos em casa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; E quando pensamos que nos cansaríamos deste estilo de lirismo poético, Tonho França dá um salto e mergulha numa linha poética mais atual, metropolitana, urbana, direto e crítico:&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; "Urbe-doida"&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/b&gt;"Toda bala é assassina&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/b&gt;se (en)contra uma vida&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; não existe este papo&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; de bala perdida" &lt;b&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Usando o recurso de colocar o (en) entre parenteses para dar novo significado, toda bala contra uma vida, é contra uma vida quando encontra uma vida. A este, juntam-se&amp;nbsp;"&lt;i&gt;&lt;b&gt;Metropóle&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;" e "&lt;i&gt;&lt;b&gt;Tempo Moderno&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;", e depois ele vem com outro poema curto, direto, atualíssimo no jeito de fazer poesia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;b&gt;&lt;i&gt;"Muros&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;i&gt;A toda hora&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; A todo momento&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; Estou fora ou dentro?"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Inserindo-se de vez nesta grande metrópole urbana, conflituosa e confusa em que o Vale do Paraíba está se transformando. &amp;nbsp;Mostrando que é um poeta atuante, atualizado, contemplativo e crítico, necessário ser lido e compreendido, pois é de importância para compreensão do momento vivido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Só lembrando, alguns dos poemas aqui citados podem ser lidos no blog do poeta Tonho França, clicando no título deste comentário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-4439311048554260561?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.tonhofranca.com.br' title='O Bebedor de Auroras'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/4439311048554260561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=4439311048554260561' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/4439311048554260561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/4439311048554260561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2010/11/o-bebedor-de-auroras.html' title='O Bebedor de Auroras'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-8055661404180576201</id><published>2010-10-01T14:08:00.001-03:00</published><updated>2010-10-29T15:13:17.872-02:00</updated><title type='text'>Desmergulho de Daniela Peneluppi</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Em 2010, durante o Festival da Mantiqueira, Daniela Peneluppi lançou o seu primeiro livro de poemas chamado Desmergulho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Começo dizendo pelo que me chamou primeiro a atenção no livro: poemas feitos como se fossem letras de música. Neste contexto, temos os poemas "Alô da Terra Custa Caro", "Bolero Saudoso", "Desmergulho", "Ilhabela", "Só uma Palavra". Em geral, são poemas com certa métrica, com palavras colocadas bem corretamente dentro de uma melodia que se pode até imaginar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Outro aspecto foi o visual no interior do livro, Daniela usou de muitas imagens de paisagens, flores, fotos diversas, além de escrever ora em maiúscula, ora em minúscula, ora iniciando com letras minúsculas as palavras com o restante do corpo em maiúscula. Esta utilização acabou por trazer algumas reflexões que vão além da palavra, pois, ao se utilizar destes recursos, a artista causa estranheza na leitura do livro, não estamos acostumados a ler uma palavra iniciando com minúscula e com o resto do corpo em maiúscula como em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ASTRAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bANHO dE rIO&lt;br /&gt;bANHO dE mAR&lt;br /&gt;bANHO aO lUAR&lt;br /&gt;aR&lt;br /&gt;LOGO LEVE&lt;br /&gt;LEVE CORPO&lt;br /&gt;dAQUI&lt;br /&gt;pARA uM oUTRO lUGAR.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Mas não é esta estranheza visual que este uso das letras nos causa que me fez pensar sobre este recurso, pois, ao utilizá-lo, perdemos um pouco o senso da palavra escrita, se o recurso fizesse jus a uma forma inovadora e de vanguarda no que ela quer dizer, então, seria muito válido, mas isto não ocorre porque é um recurso visual inócuo. Melhor seria se usasse o recurso de misturar letras maiúsculas e minúsculas com o intuito de destacar determinadas letras que, dentro do poema, poderiam transformar-se em outro poema.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; A métrica e a sonoridade que servem nas canções não necessariamente servirão em um trabalho poética de vanguarda, porque o trabalho poético deve ser repleto do mundo atual, deve vincular a vida do poeta com o mundo de alguma forma muito particular e única, o que está faltando para Daniela neste trabalho.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Ao voltar-se para si mesma, não enxergando o arredor, ela se mostra fechada em um mundo interior próprio, sinalizar que morou aqui ou ali não significa que tenha saído de seu mundo interior para atingir o mundo dos seus pares, um grande poeta escreveu que viajou por todos os lugares do mundo, mas o único lugar em que realmente se encontrou foi dentro dele mesmo. No entanto, este é um caminho para chegar ao mundo que nos cerca, conhecer-nos para depois ir ao encontro do outro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Nesta sua fase poética, Daniela está indo ao seu próprio encontro, esta visão, às vezes egoísta, incomodou-me muito porque ela não conseguiu atingir um olhar mais refinado do fazer poético. Tanto que um dos temas que chama a atenção é o uso do espelho, do reflexo, do ver a si mesma muitas vezes, já na abertura do livro no poema "A Espera", depois em "Cabelo-Iris", "Lá em Cima do Piano", "Refrangível".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Entendo que a palavra pode ser colocada ao seu próprio serviço, mas só atinge um grau mais elevado de poesia quando se impregna do mundo, das pessoas à nossa volta, das nuances que percebemos nas dores nossas e dos outros, o poeta não pode viver só no seu próprio mundo, como se morasse em outro planeta, precisa descer à terra, caminhar no meio do povo, sentir o calor da humanidade. Falta isso, neste momento, à Daniela.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Convém ressaltar que surgiram poemas interessantes como "Plenilúnio" em que ela consegue fazer esta junção da própria dor e das dores alheias, misturando o sentimento de saudade com figuras interessantes como a imagem do trem na lua cheia. "Olhar invertido no vidro"&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Há vários poemas repetindo o tema de "Mar", "Lua", "Estrela", "Céu", "Rio", "Vento". Ao selecionar as 9 palavras mais utilizadas nos poemas (Céu, Lua, Estrela, Sol, Mar, Rio, Chuva, Flor e Espelho), vemos que dos 51 poemas, 26 deles possuem alguma destas palavras, sendo que em pelo um poema, seis destas palavras estão presentes.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Faltou à poeta pensar o livro como um todo, como uma obra única, sendo o primeiro livro, talvez tenha havido o desejo de publicar o máximo possível sem considerar o conjunto da obra e dos temas tratados, penso que ela deveria se focar mais no temas trabalhados nos poemas "Refrangível", "Plenilúnio", "Campos de Margarida", "Olhar invertido no vidro" que são os mais interessantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-8055661404180576201?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://daniellapeneluppi.blogspot.com' title='Desmergulho de Daniela Peneluppi'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/8055661404180576201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=8055661404180576201' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/8055661404180576201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/8055661404180576201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2010/10/desmergulho-de-daniela-peneluppi.html' title='Desmergulho de Daniela Peneluppi'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-3757704770710540051</id><published>2010-06-06T22:12:00.002-03:00</published><updated>2010-06-28T15:21:38.958-03:00</updated><title type='text'>A LITERATURA INVISÍVEL DO FESTIVAL DA MANTIQUEIRA</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O Festival da Mantiqueira tem seus defeitos e precisa de aprimoramento. Com certeza o maior defeito é o vício de promover as grandes editoras, casando a&amp;nbsp;política do poder econômico com o poder&amp;nbsp; político. O governo do estado de São Paulo premia os autores das grandes editoras porque estas, além de se alinharem com&amp;nbsp;ele, apreciam a promoção gratuita que o Festival lhes confere. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No entanto, o maior de todos os defeitos do Festival não está nisso, mas na ignorância que a imprensa dá a aquilo que o Festival poderia trazer de melhor: a novidade na literatura. Quando a organização do festival confere um prêmio ao melhor autor estreante, está conferindo um prêmio a um autor que passou por um longo crivo editorial e que a grande indústria tem muito interesse em transformá-lo num autor de grande vendagem, obviamente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas este nem é o grande problema, sabemos que as coisas funcionam assim. Gritamos contra isso. Sim, gritamos. Fazemos barulho e tentamos chamar a atenção. Sim, fazemos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Neste ano de 2010, obtivemos um apoio imenso&amp;nbsp;da Fundação Cultural Cassiano Ricardo para que pudéssemos participar do Festival da Mantiqueira e obtermos algum contato com os nossos leitores. Como escritor, fiquei muito feliz de ver, enfim,&amp;nbsp;o órgão público municipal voltado à cultura, dedicando-se de corpo e alma a um projeto&amp;nbsp;fora dos padrões da grande indústria. Participar daquele espaço de cem metros quadrados onde nós, escritores, pudemos interagir com nossos pares e com possíveis leitores e outros interessados foi gratificante e me levou a muitas reflexões.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Primeiro de que precisamos disso mesmo, do apoio de pessoas de fé nesta cidade, como o curador Júlio Ottoboni da FCCR, ao qual somos muito gratos, para que possamos e passemos a existir perante a população joseense.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Segundo, a TV Vanguarda mostrou pouco interesse&amp;nbsp;em divulgar a literatura e poesia&amp;nbsp;da região em que obtém seus recursos financeiros, vendo as reportagens que fez sobre o Festival da Mantiqueira, percebi que ela só não ignorou a tenda Cassiano Ricardo porque fez trinta segundos no SPTV 2ª edição de sábado, no entanto, esquecendo de dizer que os autores eram joseenses, que o espaço era fornecido pela FCCR, sequer entrevistou o curador da FCCR, muita ignorância do repórter que não vai a fundo no seu trabalho. Na última reportagem exibida na segunda-feira, 31 de Maio, por exemplo, passou direto da apresentação da Orquestra Sinfônica para a Tenda Principal, não mostrou nada e nenhum dos acontecimentos da tenda da FCCR onde&amp;nbsp;importantes conversas foram levadas a cabo, lançamentos de muitos livros de autores joseenses, discussões sobre os rumos da literatura no vale, sobre a sociedade em que vivemos, sem contar a intervenção excelente do Poeta Moraes defendendo com razões inquestionáveis&amp;nbsp;o poeta como ser pensante e atuante na sociedade, contrariando a visão geral de que o poeta é um alienado do mundo. Para a TV Vanguarda, os autores joseenses&amp;nbsp;parecem invisíveis, não existem, não tem ninguém digno de representar a literatura. Perde a TV Vanguarda uma chance de&amp;nbsp;participar mais&amp;nbsp;com este grupo&amp;nbsp;interessante e inteligente&amp;nbsp;da região. Foi pouco o que ela fez, poderia e tem condições de fazer mais e participar mais da vida urbana.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Terceiro, o jornal O Vale novamente perde em apenas divulgar o programa do Festival. É inacreditável que um jornal da nossa terra se preste somente a isso. Reproduzir o programa do Festival. Não vi um repórter do jornal&amp;nbsp;entrevistando ou fotogrando&amp;nbsp;os autores presentes no espaço da FCCR. O jornal O Vale poderia realizar matérias literárias muito interessantes, colocando muita coisa em discussão, tanto em poesia quanto em literatura, mas, parece que as pessoas que estão no jornal O Vale têm dificuldade em lidar com as cabeças pensantes da região, preferem isolá-las, torná-las invisíveis, assim não mostram a ignorância do jornal. Até para o jornal da nossa região, os escritores joseenses são seres invisíveis. A participação de O Vale foi pífia, ridícula e menos que medíocre para um jornal que se pretende formador de opinião nesta cidade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quarto, as atitudes dos políticos joseenses são lamentáveis. Quais vereadores se deram ao trabalho de visitar a tenda da FCCR? Á exceção do Cristiano, que passou bastante tempo lá conversando e prestigiando, eu vi apenas&amp;nbsp;o Wagner Balieiro acompanhado do deputado&amp;nbsp;Carlinhos Almeida. Longe de qualquer filiação partidária, política ou ideológica, vou analisar a postura dos políticos que passaram por ali. A começar do nosso prefeito que passou feito um raio pela Tenda da FCCR, demonstrando bastante desinteresse pelos livros e pelos autores, depois, sumiu das ruas de São Francisco Xavier, sendo impossível vê-lo entre a população ou conversando com os munícipes, afinal, rodeado de interesseiros, não podia mesmo se aproximar da população. Atitude totalmente diferente do Deputado Carlinhos Almeida e do vereador Wagner Balieiro. Durante todo o domingo, pude vê-los circulando pelo Subdistrito, conversando com um e com outro, parando na tenda da FCCR e conversando com quem estava ali presente, mostrando-se interessados nas coisas que aconteciam, até vi Balieiro participando de uma das conversas da programação da Tenda da FCCR. A humildade e desprendimente destes dois foi fantástica. Nada de estrelismos, nada de asseclas e interesseiros, apenas estavam interagindo com a população como qualquer um de nós que lá estavámos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;Pergunto: e os outros políticos? Onde estavam o deputado federal&amp;nbsp;Emanuel Fernandes, os vereadores Dié, Alexandre,&amp;nbsp;o deputado Hélio Nishimoto? E os outros vereadores? Só andando atrás do prefeito?&amp;nbsp; Francamente, se estávamos invisíveis para estes políticos, estes, então, nem sequer se interessaram por alguma cultura. E, ao não se interessar em interagir com as pessoas ligadas à discussão da cidade, ao pensamento, às novas idéias, com quem eles vão dialogar? Será que vão dialogar com os donos de construtoras ávidos para&amp;nbsp;liberar prédios em ruas que não suportam mais edifícios? Espero que não, espero que procurem dialogar com formadores de opinião e não com formadores de patrimônio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É isso, não fosse o enorme esforço da FCCR em divulgar os autores joseenses, continuaríamos todos invisíveis para a cidade. Pelo menos, para a população que se deslocou até São Francisco, pudemos conversar, aparecer, mostrar que existe literatura e poesia muito bem feitas em São José dos Campos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-3757704770710540051?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/3757704770710540051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=3757704770710540051' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/3757704770710540051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/3757704770710540051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2010/06/literatura-invisivel-do-festival-da.html' title='A LITERATURA INVISÍVEL DO FESTIVAL DA MANTIQUEIRA'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-7444444666070206565</id><published>2010-05-10T23:15:00.000-03:00</published><updated>2010-05-17T10:36:04.300-03:00</updated><title type='text'>OS MICROCONTOS DE WILSON GORJ</title><content type='html'>A MICRO LITERATURA DE WILSON GORJ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leitura do livro: Prometo ser breve&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson Gorj é um autor novo que já possui um bom trabalho tanto em participações em livros quanto no universo web e lançou no dia 21 de março de 2010, em Aparecida, o seu segundo livro "Prometo ser Breve", onde expõe ao extremo a sua arte de micro contos,&amp;nbsp;em que&amp;nbsp;reduz ao mínimo uma história, redige, na verdade, apenas a idéia da história colocando a contradição do significado de uma expressão. Seus microcontos aproximam-se da poesia e se diferenciam por não ser uma escrita de figuras de linguagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como exemplo de um microconto, temos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Ela pintava quadros. Ele, paredes.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Conheceram-se. Pintou um clima.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na cama, pintaram o sete.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste micro conto, ele se utiliza dos&amp;nbsp;vários significados da palavra pintar para criar a sua história. Pintar quadros e paredes, pintar o clima no sentido de haver afinidade entre duas pessoas, pintar o sete no sentido de fazer brincadeiras, no caso, sexuais. Então, ao brincar com o sentido de uma palavra, Wilson Gorj desenvolve o seu microconto, no caso acima, mesmo que ele não descreva, podemos pensar na mulher artista, cheia de sensibilidade, no homem pintor de paredes, cheio de rudeza, ainda sim, conhecem-se, surge o desejo em ambos, sentem-se atraídos e acabam na cama, talvez até pudéssemos classificar como se fosse poesia concreta transcrita para a prosa, mas não é porque a poesia concreta, além do aspecto visual do uso das palavras, também procura transformar o poema em transfiguração da palavra, que é muito diferente do microconto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No decorrer da leitura, senti o exagero do autor nesta redução. Em muitos casos ao colocar apenas uma frase opondo dois fatos contrários, por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Experimentou todas as chaves do molho, nenhuma lhe abriu o apetite.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de eu gostar&amp;nbsp;desta sacada original, o molho de chaves e o apetite, sendo que molho na comida é o que dá novo sabor ao alimento. E, apesar de ter gostado de inúmeras outras, tudo em geral, repleto de ironia, confesso que, ao terminar o livro, não consegui guardar muita coisa do que li na memória, nem mesmo ficou aquela mastigação de uma idéia central tratada num conto, romance ou poema, nem fiquei a pensar no que o autor propôs como idéia de mundo e comecei a entender que não era esta a idéia do autor. Nada ficou gravado na memória, tudo foi tão efêmero quanto o tamanho dos contos. Então, retornei à leitura para compreender melhor porque eu gostei de algo que não ficou na memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, Gorj não se propõe a explicar ou a teorizar o mundo, ele está&amp;nbsp;implícito no mundo, é tão parte da atualidade que acaba por fazer literatura da sociedade sem explicá-la ou teorizá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A leitura acontece e provoca a sensação imediata, feito um doce gostoso, um perfume agradável, uma bela visão de uma borboleta, uma bolha de sabão que estoura. Sem o contexto que envolve cada uma destas sensações, a memória não grava a lembrança da história mas apenas a sensação. Tudo se esvai feito fumaça, gás, uma nuvem que lembra uma forma e no momento seguinte é outra coisa da qual esquecemos da primeira sem perder o gosto de apreciar as nuvens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto causou-me o incômodo de não ser transformado ou tocado por uma grande história que vem e nos impacta ou nos carrega a outros mundos através de elaborações mentais. A redução da história a sua sinopse, reduz a vida daquela história. Retornando ao que disse no parágrafo anterior, para mim, é tão clara a imersão de Gorj no mundo que ele representa a tradução exata da superestrutura da sociedade de hiperconsumo atual para a literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a necessidade de consumo rápido da sociedade, então, o microconto é consumo rápido da leitura, em seguida, o próximo microconto tem de causar outra sensação, trazer outra antítese ou metáfora ou contradição, diferente da anterior e, no fim, esta repetição acaba sendo sempre a mesma solicitação da sociedade do hiperconsumo. Sempre a rapidez da sensação que vem e causa um impacto suave e agradável e importante, sem dor, sem tristeza, sem levar a alma aos seus recônditos mais cruéis, e logo devemos ter outra sensação agradável e boa. É a transcrição exata da sociedade do hiperconsumo para a literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante dizer que isto não pode ser classificado com bom ou ruim, mas como uma forma diferente de se fazer literatura. Os microcontos, apesar de existirem há um bom tempo, aproximam-se muito da literatura atual neste sentido da rapidez do mundo, internete, twiter, email, mensagem instantânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando&amp;nbsp;Gorj entra na poesia é que podemos fazer uma comparação e aproximação e distensão com o que outros poetas fazem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poemas muito bons como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;VOCÊ&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um punhal&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Espetado no meu peito&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu dilema&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É não saber direito&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se a tiro de mim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ou se cravo até o fim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;ATRAÇÃO FATAL&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não fale muito próximo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sua boca é vertiginosa como os abismos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mais um palmo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E eu me ...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; a&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; t&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; i&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; r&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; o&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, nos temas poéticos, o autor trata basicamente de poemas de amor e de poemas sobre a poesia e o fazer poético, em geral, utilizando também ao máximo a idéia do mínimo, acaba por não explorar ou se aprofundar na riqueza das figuras de linguagem que ele mesmo cria e produz, ao utilizar da ironia com prodigalidade, fica devendo um pouco mais de conflito que poderia tornar ainda melhor o seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho de Wilson Gorj é muito bom, inteligente ao utilizar tantas observações interessantes, “sacadas geniais”. Nesta parte poética, ironia do destino, Gorj escreve poemas maiores do que seus microcontos e há poemas, que são verdadeiros microcontos como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O VAGABUNDO&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dono de todas as ruas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O vagabundo perambula&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;À procura da cama sonhada&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Enquanto não a encontra&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ele dorme pelos cantos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No chão duro das calçadas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belo poema, quase todo métrico e cheio de ritmo e com um tema social mais abrangente. E não deixa de ser uma história: o vagabundo procura a sua cama, não encontrando, dorme na calçada. Mesmo na poesia, ele não conseguiu abandonar os seus microcontos, ou seja, faz esta mistura entre poesia e prosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, Wilson Gorj nos traz os seus microcontos e, muitas vezes, parece-me que fez uma espécie de propaganda, usou trinta segundos do tempo em que estamos no meio do programa e deu o seu recado. Neste caso, o programa seria a nossa vida e o seu microconto seria o intervalo para o comercial. Deste ponto de vista que enxergo o trabalho de Gorj como parte do mundo. &lt;br /&gt;Continuei com a sensação de leveza. A propaganda até nos leva a fortes emoções mas não contesta o capitalismo e o consumo porque é parte desta sociedade consumista. Faltou isso, fazer com que o micro conto seja uma forma de protesto, de revolução do pensamento. Não deixar que o micro conto seja apenas a revolução do formato do conto, mas é preciso que seja a revolução do pensamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-7444444666070206565?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://omuroeoutraspgs.blogspot.com' title='OS MICROCONTOS DE WILSON GORJ'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/7444444666070206565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=7444444666070206565' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/7444444666070206565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/7444444666070206565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2010/05/os-microcontos-de-wilson-gorj.html' title='OS MICROCONTOS DE WILSON GORJ'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-7312651078895361840</id><published>2010-03-23T23:42:00.000-03:00</published><updated>2010-03-25T17:40:37.498-03:00</updated><title type='text'>Rogério Rodrigues e a voz do subúrbio</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Rogério Rodrigues é um escritor joseense que lançou em março de 2010 o livro "Contos e Descrenças" em que narra alguns episódios de sua vida em forma de ficção e também&amp;nbsp;se arrisca na poesia. Se levássemos em conta a sequência narrativa de suas histórias, talvez não déssemos o devido valor ao seu talento, pois ele comete erros diversos em língua portuguesa e, muitas vezes, torna difícil a concatenação das frases, precisei em alguns casos de uma releitura apurada para compreender o sentido de algumas expressões por ele utilizadas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No entanto, apesar de ser uma dificuldade do escritor, mostrando bem sua origem humilde de família trabalhadora, moradora da periferia de São José dos Campos, dez irmãos, pai assalariado. Sua forma de escrever pode levar alguns a desqualificá-lo, talvez dizer que ele não tem o "glamour" de escrever difícil. O que não deixa de ser verdade, ele não tem uma escrita de&amp;nbsp;palavras difíceis, até porque compreendo que ele não teve a quantidade e qualidade necessária de estudo, considerando que é formado na escola pública.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Rogério não tem vergonha de sua origem humilde e, analisando o seu texto, comecei a compreender que isto, de certa forma, traz a palavra para perto do linguajar utilizado pelo público urbano da periferia, as estruturas do texto são as mesmas da estrutura de pensamento do povo. Por exemplo, quando escreve (pag 11 em "Os Grandes Vilões"):&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;em&gt;"Minha ideia, apesar de estar somente na mente, era pagar um açaí bem geladinho para nós. Mas algo logo veio a mudar meus planos".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um outro escritor diria algo mais simplificado como "Minha ideia era pagar um açaí bem geladinho para nós". Não usaria a expressão "&lt;em&gt;apesar de estar somente na mente&lt;/em&gt;" pois, deduz que uma ideia está somente na mente. Mas esta é uma forma corriqueira em Rogério Rodrigues, logo em seguida do mesmo texto, ele usa outra frase:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;em&gt;"Meu irmão a fim de não acabar com o bom humor que estava entre nós, tirou o cavalinho da chuva... Eu já inocente de que aquele gasto viria de meu bolso...". &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ou (página 7, em "O fantástico mundo de Jaspion"):&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; "&lt;em&gt;Com a rotina de folga&lt;/em&gt;" em vez de "Com a folga na rotina", &lt;em&gt;"levantei-me às 10 horas sobre o silêncio&lt;/em&gt;" em vez de "em silêncio", "&lt;em&gt;a poucos passos&amp;nbsp; pegando-me uma caneca&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (Página 57, em "Eternamente Ilza")&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;em&gt;"O dia continuava a prosseguir. As horas se passavam. Dali a algumas horas, meu expediente viria a se encerrar. Com as horas se passando...", &lt;/em&gt;aqui, achei interessante a repetição da mesma frase, pareceu-me que o autor queria mostrar a demora do tempo em passar, mesmo utilizando "continuava a prosseguir", que é&amp;nbsp;redundante. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Todas estas expressões são usadas frequentemente pelo povo na rua, que reforçam, redundam, esquecem, não compreendem o sentido correto das palavras, isto, Rogério traz para o livro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A&amp;nbsp;escrita deste autor&amp;nbsp;com estas expressões mostra outra forma de usar&amp;nbsp;as palavras&amp;nbsp;em linguagem coloquial, transcritas para a linguagem escrita tal qual são&amp;nbsp;utilizadas naquela forma, mostrando a diferença de estrutura de pensamento&amp;nbsp;entre a linguagem coloquial suburbana&amp;nbsp;para a culta.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/em&gt; Mesmo assim, não devo considerar a escrita coloquial do texto de Rogério como algo incorreto pois é a forma&amp;nbsp;verbal usada pelo povo em seu cotidiano. Mas ressalto que é necessário que o escritor consiga compreender a necessidade de domar este seu jeito coloquial para que os textos sejam mais concisos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em relação aos textos, apesar de utilizar o termo Contos no título, vemos que é uma miscelânea, há crônicas do cotidiano, contos, poemas que mais se aproximam da prosa.&amp;nbsp;De todos,&amp;nbsp;o melhor e mais verdadeiro conto&amp;nbsp;é "A Mal Amada", além de ser divertido, conta com&amp;nbsp;um bom final. Aliás, o humor é uma característica interessante no autor, que ele utiliza em outras histórias.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na poesia,&amp;nbsp;Rogério ainda&amp;nbsp;é iniciante,&amp;nbsp;estágio mais de desabafo do que&amp;nbsp;de&amp;nbsp;poética. Poesia necessita de figuras de linguagem ricas e instigantes, e, considerando que, para isso, é necessário muita leitura, observação e estudo, vemos que ainda falta isso nele. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tudo isso não tira as qualidades que encontrei neste escritor que são o dinamismo dos textos, o corte das frases que lembra, muitas vezes, a trechos de poesia em prosa, o ritmo de leitura muito bom que ele consegue impor e a&amp;nbsp;inserção da linguagem coloquial na literatura.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Além de tudo isso, tenho de&amp;nbsp;destacar a garra deste autor em fazer a literatura. Rogério, em seu jeito simples, está fazendo bem o que muitos autores não conseguem fazer: está dando voz ao subúrbio, à sua gente simples e trabalhadora, que tem suas fantasias, seus desejos, seus problemas como toda gente tem. E um caminho para ele é inserir esta voz do subúrbio em um texto mais literário.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Outros autores, de origem mais abastada,&amp;nbsp;escrevem de forma culta muito bem, ao falar das pessoas do povo, idealizam e transformam o texto para o mais próximo possível do que seria esta voz, mas Rogério vive esta voz,&amp;nbsp;percebe-se a diferença na estrutura do pensamento e do texto. E creio que este é o caminho que ele deve ter&amp;nbsp;em mente: não esquecer a sua gente, o seu povo, escrever sobre isso, fazer esta literatura mas... e aí está o grande problema: ainda falta base para Rogério. Ele precisa continuar escrevendo, mas precisa, também, ler mais, estudar mais, compreender melhor as figuras de linguagem, compreender o uso correto dos verbos, entender o funcionamento da língua escrita que é muito diferente da lingua falada. Sua origem lhe dá a vantagem se aproximar do povo e a desvantagem de se afastar da literatura. Para transformar seus textos em verdadeira literatura, ele precisa aprender porque escreve deste jeito, porque é importante dar voz à sua raíz mas colocar a base na literatura que foi feita anteriormente. É necessário aprender o passado para poder quebrar os paradigmas. Ele pode sim escrever na forma coloquial, suburbana, mas precisa saber escrever também na forma culta, para evitar que erros muito grosseiros aconteçam. Falta ainda esta qualidade nele.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Preciso lembrar que, por um curto período de tempo, há muitos anos atrás, eu lecionei em escola estadual e senti na pele o que o governo do estado&amp;nbsp;tem feito com a educação, desvalorizando a figura do professor e&amp;nbsp;desestimulando os alunos ano após ano, por isso,&amp;nbsp;pinçar, destes milhões de alunos, alguém que tem a coragem de escrever e contar o que sente à sua maneira é algo que me deixa emocionado, ele tem a coragem de enfrentar a sua dificuldade de compreensão do seu&amp;nbsp;texto, coloca seu trabalho à mostra, deixa o seu telhado de vidro exposto para levar as pedradas&amp;nbsp;e isto&amp;nbsp;me leva a refletir o porque o escritor escreve e a resposta é sempre a mesma: o verdadeiro escritor não escreve para ser rico, famoso ou admirado, escreve porque necessita dar voz ao seu coração. É isso que Rogério faz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-7312651078895361840?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://escritorrogeriorodrigues.blogspot.com' title='Rogério Rodrigues e a voz do subúrbio'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/7312651078895361840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=7312651078895361840' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/7312651078895361840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/7312651078895361840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2010/03/rogerio-rodrigues-e-voz-do-suburbio.html' title='Rogério Rodrigues e a voz do subúrbio'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-4568123119950084716</id><published>2010-02-22T17:01:00.000-03:00</published><updated>2010-03-27T15:45:02.768-03:00</updated><title type='text'>CRISTINA FAGA - O MERGULHO NAS ESCOLHAS DO MUNDO</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A proposta deste blog é de compreender a poesia dos poetas que atuam no Vale do Paraíba, e, desta forma, compreender a vida das pessoas que aqui vivem. Autorizo-me um aparte na proposta deste blog e anuncio a todos&amp;nbsp;que há uma escritora excelente e ao mesmo tempo&amp;nbsp;desconhecida,&amp;nbsp;e que seja desconhecida apenas por enquanto, desejo que ela seja logo lida e relida por todos que gostam de boas histórias bem contadas, por todos aqueles que adoram a literatura brasileira.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cristina Faga não mora no Vale do Paraíba, mas tem uma ligação afetiva com São José dos Campos, até se permitiu relançar o seu livro de estréia no SESC em outubro de 2009, e o destino, este mistério divino, colocou-me felizmente ao seu lado e, não fosse isso, talvez eu nunca soubesse da beleza de suas palavras.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Suas histórias despertaram em mim no campo da prosa,&amp;nbsp;a mesma paixão que tive ao ler o livro "Alfazema" de Zenilda Lua, no campo da poesia. Estas mulheres fantásticas, com suas letras tão bem trabalhadas, conseguem chegar no âmago da alma, naquele mais íntimo que a ninguém se revela mas, nas entrelinhas, tudo escancara com delicadeza e amor, resultante de um trabalho que se vê repleto de paixão pela vida e pela palavra.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É uma pena que a extensão de um conto não me permite publicá-los todos aqui.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cristina Faga é uma jovem escritora que publicou apenas um livro até o momento, um pequeno livro de contos chamado "Dhamaríades Flora&amp;nbsp;- A menina-árvore e outros contos".&amp;nbsp;É pouco para quem transborda de talento literário como ela. O seu texto&amp;nbsp;é um deleite. É adorável ler suas histórias tão bem construídas, em que os personagens são estruturados em vidas aparentemente comuns, para os quais a autora&amp;nbsp;revela a generosidade e grandiosidade dos pequenos atos,&amp;nbsp;o heroísmo e também, em&amp;nbsp;muitos casos,&amp;nbsp;a miséria de suas mesquinharias cotidianas. Para quem puder, recomendo, após cada conto, que o leitor pare, feche os olhos e imagine a história, deixando fluir o tempo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;As histórias, o texto, tudo na literatura desta jovem autora é feito com precisão, não há palavras sobrando e nem repetição de idéias, uma concepção de mundo feita com o carinho de quem se dedica a contar bem uma boa história.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Este pequeno livro é uma grande obra-prima da literatura brasileira atual, dando continuidade a tradição literária dos nossos grandes contistas, iniciada lá atrás com Machado de Assis. Sua temática atualíssima nos traz o prazer da boa leitura, com conceitos bem construídos. Apesar da delicadeza com que ela coloca suas palavras, não esperem historinhas&amp;nbsp;de água com açúcar, mas a realidade da dureza da vida confrontada com a dificuldade do indivíduo em enfrentar a sua própria solidão diante de um mundo repleto de escolhas. Quando falo em delicadeza, preciso esclarecer que significa que ela não se utiliza de palavrões, escatologia, sangue, mortes, e outros recursos para contar suas histórias. Apenas conta a história.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No primeiro conto:&amp;nbsp;"Dhamaríades Flora, a&amp;nbsp;Menina-árvore", ela&amp;nbsp;traz a tona&amp;nbsp;a dificuldade da idéia nova, representada pela protagonista, de&amp;nbsp;se firmar no mundo,&amp;nbsp;a nova idéia precisa morrer para dar frutos, ou seria o novo mundo que a protagonista propõe que não tem lugar neste nosso mundo velho e mesquinho? A menina árvore não encontra&amp;nbsp;seu espaço&amp;nbsp;em nenhum lugar porque a ela tudo é estranho,&amp;nbsp;visto que ela é a novidade e&amp;nbsp;a diferença e que o mundo em que vivemos, com sua ganância e mesquinharia, não consegue aceitá-la ou lhe dar espaço, destruindo-a. Seriam as novas idéias fadadas à destruição? Sua morte poderia dar frutos? Há ainda algum espaço para nobres intenções? São questões que se colocam neste belo conto. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já&amp;nbsp;"Tio Sibério" é um&amp;nbsp;conto belíssimo. Uma alegoria de amor&amp;nbsp;de uma sobrinha por seu tio, na verdade, uma alegoria sobre a dedicação e persistência de uma mulher que ama&amp;nbsp; para atingir o coração de um homem. A autora coloca a seguinte questão: como é possível à mulher atingir e&amp;nbsp;transformar a alma masculina? E responde: somente com dedicação e amor na busca da perfeição.&amp;nbsp;Esta&amp;nbsp;é a novidade, num mundo que obriga a mulher a se igualar ao homem,&amp;nbsp;a autora mostra que a mulher,&amp;nbsp;ao atingir a alma masculina, compreende a fragilidade desta alma, ao mesmo tempo, dá-lhe a possibilidade de ser&amp;nbsp;feliz, pois, ao se revelar a uma mulher, o homem se&amp;nbsp;transforma e encontra a felicidade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De certa foram, continua com esta idéia em "Jacarés e Lagartos no Ar", que&amp;nbsp;é um conto de fadas moderno em que o príncipe encantado não surge num cavalo branco mas numa potente Harley-Davidson. Mas ela inverte&amp;nbsp;o papel, aqui, é a mulher que encontra a salvação e o sentido de sua vida&amp;nbsp;no homem. Apesar disso, a autora não é feminista ou machista, não lhe cabendo estes rótulos,&amp;nbsp;é apenas uma mulher que ama. &amp;nbsp;No entanto, o mais interessante desta história é o papel decisivo da mãe da protagonista como o motor da mudança na vida da filha. É a mãe que empurra a filha para a vida,&amp;nbsp;mas, ao mesmo tempo, somente a escolha da filha pelo risco de viver é que pode fazer com que a vida realmente aconteça. A mãe é o propulsor mas a escolha da filha é que faz a vida andar. Então, aí, temos vários questionamentos, o papel do pai ausente, o papel da mãe, o desejo da filha, a possibilidade de amores impossíveis desde que se tenha fé, e o principal, a vida só pode acontecer quando a&amp;nbsp;pessoa deseja que ela aconteça.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mudando o rumo do livro, no conto "Polos Opostos", ela&amp;nbsp;trata da troca de favores entre dois amigos, ou melhor, de um favor forçado por um que será cobrado em outro momento, algo muito típico, mas, nesta troca em que os dois ganham e, posteriormente, prova que os dois perderam, mistura sentimentos ambíguos existentes entre os protagonistas. Traz a dificuldade de percebermos ações gratuitas ou não das pessoas, até que ponto um favor é algo gratuito? Esta moral ambígua de um dos protagonistas revela-se prejudicial ao outro, levando o outro ao erro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; "Uma Nau Incomum" é, basicamente, uma história excelente para crianças, curta, simples e de fácil entendimento, mas muito bem escrita do ponto de vista de estrutura do conto e de linguagem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já "A Melhor História" é um conto fantástico, muito bem elaborado, que retoma a idéia da inadaptabilidade de uma menina ao mundo, no caso uma índia, e também da admiração pelo diferente, pelo mistério, pela aventura da menina da cidade em relação à menina da floresta.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A autora revelou-se bastante amarga no último conto,&amp;nbsp;"Pequenas Coisas",&amp;nbsp;em que mostra uma vida totalmente sem saída, uma vida que se deixou viver pelos outros, de certa forma é, também, um alerta, de que nós não devemos deixar que a vida dos outros se faça nossa, devemos fazer a nossa vida acontecer. O mundo nos influencia e nos carrega mas, se sempre nos levarmos pelo mundo, estamos fadados a uma existência menos que medíocre, uma existência ínfima. Talvez, apesar da tristeza carregada até o extremo neste conto, possamos concluir que é necessário vivermos e trabalhar para a mudança, fugir do conforto material, fugir do conforto psicológico e se arriscar no mundo, pois é melhor uma vida cheia de dificuldades mas desejada, do que uma vida infeliz&amp;nbsp;com algum conforto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A escritora consegue falar de diversos assuntos, e isto é que faz o livro ser interessante e gostoso de ler. Ao se prender a um tema, à história de uma personagem, ela mostra as várias facetas da vida, cada um poderá tirar suas conclusões. Importante é ressaltar que ela não se propõe a dar lições de vida ou de moral, apenas conta a história e aprofunda-se na dor de cada personagem sem ser piegas, sem dar lições, expõe a vida e deixa ao leitor tirar suas conclusões.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Do ponto de vista da estrutura dos contos, as histórias seguem uma linha tradicional, onde os personagens e ambientes são&amp;nbsp;descritos, e, posteriormente, são descritos os fatos que alteram o estado inicial dos personagens para posterior conclusão. A autora evitou dar lições de moral ou fazer juízos de valor, apenas apresenta as histórias deixando ao leitor concluir.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Da idéia de mundo, a autora nos deixa com um certo sabor amargo, com um pouco de tristeza ao ver que as personagens não conseguem se adaptar, não conseguem enxergar o lado belo da vida, não conseguem ir à luta, tomar decisões. Vivem porque o mundo lhes impõe a decisão e não porque desejam. Um mundo em que os sonhos não se realizam, não vingam, não crescem e nem se transformam. Será este o mundo em que vivemos? De certa forma, a autora está certa. Sabemos como é difícil fazer com que os nossos desejos se realizem e é preciso tempo, inteligência, perseverança para que obtenhamos as realizações.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;As personagens de Cristina Faga são muito frágeis e incapazes de perseverar, mas não são incapazes de resilir e, neste ponto, está a salvação, a resiliência, a aceitação deste mundo assim como ele é para obter a salvação. São personagens que não brigam pelo seu espaço, em geral, deixam que as coisas aconteçam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ainda assim, por isso mesmo, pela beleza do texto, recomendo que leiam, não percam a oportunidade. É um livro raro e de excelente qualidade literária. Vale a pena perscrutar os meandros da existência de cada um dos personagens do livro, de tão bem delineadas que foram suas características.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Todos os personagens, de certa forma, mergulham de cabeça em busca de algo que lhes falta, é assim com Dhamaríades Flora, que entra na floresta para encontrar o mundo que deseja, Tio Sibério que mergulha na sua própria alma, a moça que se arrisca ao entrar no mundo de um homem diferente dela, o professor que se aprofunda no estudo de livro imaginário, a menina da cidade que conhece o mistério da menina indígena, e a empregada que vive de verdade em seu mundo de sonhos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sendo exceção, a mãe que sai de seu mundo que será inundado para ir para outro lugar, fazendo isso apenas porque ainda tem uma filha em "A Escolha". Alguns encontram a vida neste mergulho, outros encontram a morte, mostrando-nos que sempre haverá um risco nas nossas escolhas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É isto, acessem o blog da escritora através do site &lt;a href="http://www.valeliteratura.com.br/"&gt;http://www.valeliteratura.com.br/&lt;/a&gt; e conheçam um pouco mais. eu&amp;nbsp;aguardarei ansioso&amp;nbsp;suas novas histórias.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se me perguntarem se tem algum ponto negativo no livro? Eu diria que sim, faltou ousadia na linguagem e na estrutura do conto. É literatura feita da maneira mais tradicional, sem rompimentos com estilos literários anteriores, no entanto, acredito que&amp;nbsp;era esta a proposta da autora e, mesmo para realizar estes rompimentos, precisamos fazer bem feito o estilo literário anterior para, depois, romper com este estilo. Acho que isso ainda vai acontecer. A autora entende muito do tema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-4568123119950084716?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://dhamariadesflora.blogspot.com/' title='CRISTINA FAGA - O MERGULHO NAS ESCOLHAS DO MUNDO'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/4568123119950084716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=4568123119950084716' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/4568123119950084716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/4568123119950084716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2010/02/cristina-faga-o-mergulho-nas-escolhas.html' title='CRISTINA FAGA - O MERGULHO NAS ESCOLHAS DO MUNDO'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-5514519378275978883</id><published>2010-01-29T15:14:00.000-02:00</published><updated>2010-03-27T15:51:00.171-03:00</updated><title type='text'>NUNES RIOS – UM POETA EM BUSCA DA SUA FORMA</title><content type='html'>Apesar de ainda não ter livros publicados, tenho lido os poemas de Nunes Rios publicados em seu blog (http://nunes.rios.nafoto.net/) e percebo muita coisa interessante, vi um olhar atento sobre a passagem do tempo e a sua influência sobre as pessoas, parece-me que o poeta tenta encontrar-se na idade madura, buscando as influências que teve em outros tempos, em outras paisagens, procurando, na verdade, o seu espaço, o seu lugar no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunes Rios ainda não encontrou a sua forma poética, muitos poemas estão vindo em formato mais curto e sintético, e destes, tenho gostado muito, cito dois poemas muito bons como exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;UAI&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cidadezinha mineira tem torresmo na panela&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mulher faladeira, tagarela,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sinos dobram nas torres das igrejas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Moda de paixão de retireiro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sonhos de empregados de a meio&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Café quente e queijo branco&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Encostar a mula em barranco&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mascar mato e roçar pasto&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Biscoito de polvilho e muito frio&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cidadezinha mineira, uai, uai,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E muita paz.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste poema, o poeta conseguiu ser bastante sintético, resumiu com perfeição o sentimento caboclo do mineiro vinculado a um estilo de vida rural e próximo da roça. Quem visitou uma cidadezinha mineira, sabe que é exatamente assim o sentimento do povo, aquela coisa bucólica e simples, de comidas caseiras e café com queijo. Boa esta captação de um vínculo que o poeta não perdeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta linha de vínculos afetivos do poeta com sua infância ou com suas origens, ele escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O MENINO BAGUNCEIRO 2&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na descida da rua da Alemã&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu andava de carrinho de rolimã&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A velha chata, um tanto ingrata para&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ela a vida sempre estava ruim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bela casa, bela horta, belo jardim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E um belo pé de romã.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A velha coroca não gostava de crianças.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Então, eu disse: deixa estar, eu vou lhe roubar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Belos frutos de romã. E depois cantar:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Romã, romã, romã, rolimã, rolimã, rolimã,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Romã, romã, romã, rolimã, rolimã, rolimã.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, vemos outra faceta, que é a de contar a infância de um tempo que quase não existe mais, pelo menos, nestas cidades industriais do Vale do Paraíba, andar de carrinho de rolimã e roubar fruta no pé, coisas deliciosas que fazíamos em criança, sem contar o espírito desafiador do protagonista do poema (Deixa estar, eu vou lhe roubar), qual menino não quis ser o mais corajoso da sua turma? Outra coisa boa neste poema é a brincadeira romã-rolimã, uma pequena provocação que o menino/poeta faz. Tem uma sonoridade agradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o poeta ainda não encontrou a forma adequada da sua poesia, parece em busca do seu estilo, do seu formato, então, algumas vezes, ele erra, quando escreve:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;HUMANÓIDE&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ser humano&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estar humano&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É desumano&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O não humano&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Menos mano&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tanto insano&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Neste plano&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A repetição de “mano” ou “ano” em todas as estrofes não funcionou porque o tema é um tema tratado por muitos outros poetas, humano-desumano-insano. Válida é a preocupação com o que é humano ou não, ou se a loucura é humana ou não, no entanto, as palavras são semelhantes a que outros poetas já fizeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornando ao tema inicial, da saudade de outros tempos, temos o bom poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O PIÃO&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Enrolei todo o meu pião&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E joguei-o no chão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ele girou, girou e girou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Girou como os dias da minha infância&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rápido demais&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que vontade de brincar um pouco mais.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À temática da saudade da infância, o poeta incorpora a dureza de viver no mundo adulto, pois desejava brincar um pouco mais. É um problema constante do homem moderno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro momento, entrando na vida adulta, o poeta reflete sobre o seu estilo de vida, ou, se preferir, o estilo de vida atual, dando ênfase no fato da alimentação, lemos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;TRANSFORMERS&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estou monstro, estou gordo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estou transformado em cibernético&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estou transgênico, mas nem um pouco higiênico&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pois como porcarias desta pós-modernidade&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pós-moderno, ultra-moderno, contemporâneo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Visionista, modernista, mas nem um pouco conformista&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Naves espaciais que nunca vejo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Será que nelas também tem percevejo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu mexo, me mexo, mas não emagreço&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seres extraterrestres somos todos nós&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Comedores de Mac-lanche&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sou um ser em constante transformação&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Comidas industrializadas que parecem um conto de fadas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas somente nos enfada&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Boca mau criada, que ingere de forma inerte&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E não diz “não” para estas comidas malditas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sou um mutante amante de literatura e da canção&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Será que poesia é coisa de ser em alienação?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gostaria de convidar o Raul para tomar uma caracu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Já que estou mesmo ET e não mereço a atenção&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De vosmecê&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este poema começou uma boa temática, a do homem que, ao ingerir os lanches industrializados, transforma-se em outra coisa. Podemos dizer que, ao ingerir o que a civilização industrial e cibernética oferece, o homem transforma-se em outra coisa que não um homem, mas um extraterrestre vagando por este planeta. Este questionamento é muito válido e teria sido muito interessante se melhor desenvolvido no poema, mas, ao longo do texto, o poeta perdeu-se um pouco, a supressão das últimas três estrofes teria dado um formato melhor. Faltou também acertar um pouco a composição do poema, trabalhar para que as frase ficassem mais encadeadas e rítmicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No geral, vemos que a poesia de Nunes Rios tem um olhar atento para o mundo atual e para os conflitos entre a vida no mundo industrial, no entanto, o poeta continua buscando o seu formato poético. Ora escreve coisas muito boas, ora comete erros tentando atingir formatos com os quais não tem muito intimidade. Quem quiser conferir um pouco mais de sua poesia deve acessar o seu blog indicado no início deste texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da temática do conflito, apesar do formato tão diferente, vamos encontrar a poesia de João Possidônio em sinergia com a poesia de Nunes Rios, ambos valeparaibanos, com raízes rurais ou de cidades pequenas interioranas, que se vêem lançados e confrontados com cidade industrial e tecnológica, tendo de adaptar-se a isto e à perda das suas referências infantis. É um tema importante para discutirmos e compreendermos a nós mesmos que convivemos com eles nesta mesma cidade, neste mesmo vale.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-5514519378275978883?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://nunes.rios.nafoto.net' title='NUNES RIOS – UM POETA EM BUSCA DA SUA FORMA'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/5514519378275978883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=5514519378275978883' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/5514519378275978883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/5514519378275978883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2010/01/nunes-rios-um-poeta-em-busca-da-sua.html' title='NUNES RIOS – UM POETA EM BUSCA DA SUA FORMA'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-4624599603571591851</id><published>2009-11-03T15:21:00.000-02:00</published><updated>2009-11-04T09:50:52.257-02:00</updated><title type='text'>João Possidònio - o Conflito da Sociedade Industrial</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Analisando o livro de João Possidônio Júnior&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;TAQUARA publicado em 2009&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possidônio faz uma poesia intimista de um menino que veio da roça e entrou de corpo e alma na vida urbana com a transformação da cidade e busca compreender-se neste mundo em que se viu envolto, luta contra a fragmentação da memória daquele menino, agora inserido na loucura da urbe, como ele chegou lá? Que caminhos o conduziram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sobras&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A minha infância&lt;br /&gt;ficou há dezenas de anos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;esquecida num balcão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;do armazém da vila.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Lá ficaram sonhos,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;devaneios de poeta &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e desejos de diversão...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seguiu em frente uma certeza cheia de obrigação.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sombras do dever...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sobreviveu o homem...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;... a criança não.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo migrado da pequena vila, quase roça, de Eugênio de Melo, em que cresceu em quintais separados por muros de taquara, para a urbe de quase um milhão de habitantes se espremendo, correndo, lutando, literalmente, brigando um com o outro por mais espaço. E esta migração interna, dentro da própria cidade, também é uma migração dentro do próprio coração, ele migra da sociedade simples e pacata, de coisas certas e definidas, para a sociedade industrial, onde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sinal fechado&lt;/strong&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ando pelas ruas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e avenidas do meu coração.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Acelero nas retas &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;da segurança e da convicção.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vou devagar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;nas curvas e voltas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;das surpresas do destino,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;das apostas e daquilo que não sinto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tenho poucos sinais abertos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a permitir o meu seguir&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e muitos sinais fechados&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;que só fazem me impedir&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;de andar outros caminhos &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e descobrir&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o que me é desconhecido.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De tudo que andei &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;pouco aprendi,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De tanto que corri &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;muito me perdi&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leva-nos a crer que a experiências vividas pelo poeta ainda não foram totalmente absorvidas pois os sinais abertos, sendo poucos, o levaram pela via que ele segue, já os fechados (inclui-se nestes sinais, além do semáforo, as proibições, o aprofundamento nos sentimentos, a dificuldade da vida, a urgência das “retas da segurança e da convicção” que o impedem de sentir melhor as surpresas do destino, “aquilo que não sinto”). Metaforicamente, o poeta pode ser o próprio mundo, a sociedade industrial “De tudo que andei, pouco aprendi, de tanto que corri, muito me perdi”. Uma sociedade que se perdeu apesar de tanto correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de perdido entre os sentimentos, assim como a urbe em que vive, o poeta traz consigo resquícios da sociedade antiga, onde foi gerado, sendo o mais destacado, um resquício de machismo em que as mulheres, em geral, são vadias ou prostitutas, e os homens são anjos, ou símbolos da perfeição, executores das ordens divinas, isso é muito claro em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Desejo de um anjo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se eu lhe tocar a boca,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;acariciar seus cabelos,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;morder-lhe os ombros &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e lhe tirar a roupa...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se eu beijar seu pescoço,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;apertar-lhe as pernas,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Afagar suas costas &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e abraçá-la de novo...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se eu a deitar na cama&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e me jogar por cima,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;lamber sua barriga&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e fazê-la minha dama...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E ao ter você colada em mim,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;eu, já desvairado e louco,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;quero ter todo o seu corpo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;num prazer sem fim.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Juntos num êxtase maior,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;inteiramente nus,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;anjo e puta,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;embriagados do nosso amor.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E desfrutado do seu corpo quase todo,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;se resta ainda uma pequena parte,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;deixa-me que a desfrute&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;ainda que seja tarde. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pois sem chance de volta,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;pobre anjo, grito aos céus:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;_ Meu Deus, por que me abandonaste?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê aqui uma das vertentes da poesia de Possidônio, que é a religiosidade presente sempre em conflito, aqui, o anjo caiu do céu e perguntou porque Deus o abandonou, quando, na verdade, ao se entregar aos prazeres carnais, quem abandonou Deus foi o anjo. Esta religiosidade conflituosa se manifesta em diversos poemas, muitas vezes associada à imagem da mulher como fonte do pecado masculino, também, algumas vezes, a mulher é a bruxa, cheia de mágicas e segredos, o vulcão, quente e indomável, vemos estas imagens em “Contato”, “Vulcão”, “Tempos Modernos”, “Condenação”, “Folha em Branco”, “Bruxas”, “Espíritos”, tudo isso é resultante do conflito trazido da sociedade anterior em choque com a sociedade industrial que prega valores diferentes, mais sexuais, anti-religiosos e hedonistas, ao entrar em choque o menino da pequena vila com o homem da grande cidade, entram em choque também todos os valores presentes nas duas sociedades, resulta daí esta relação conflituosa entre o poeta e a sociedade em que vive:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Conflito&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Passas e não me olhas, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;ages como se não me conhecesses mais...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;És indiferente&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e esqueces do que fomos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;tempos atrás...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nosso tempo &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;já é passado...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Agora&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;para mim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;...imperfeito.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em nossos corações &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;nunca teremos paz,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;pois o que já fomos &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;não seremos jamais...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O hoje &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;não te traz do outrora.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;És lembrança fugaz &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;que se edificou&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;no nunca mais.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a inserção do poeta nesta sociedade&amp;nbsp;de consumo&amp;nbsp;é uma inserção conflitante pois ele não se enxerga nem em um mundo, o mundo&amp;nbsp;industrial lhe diz que tudo é passado, o seu mundo antigo passa e não o reconhece mais,&amp;nbsp;não o vê,&amp;nbsp;sendo assim, os dois mundos não o reconhecem e nem ele se reconhece inteiramente pertencente a um dois, está dividido,&amp;nbsp;muito claro isso em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Moçambique&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Naquele terreiro &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;de chão duro,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sons e canções antigas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;preenchem minha memória &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;com batidas de pés, &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sinos &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e bandeirinhas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cores que ficaram para trás&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;na jornada dos anos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu coração incandesce&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;nesta lembrança &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e desperta o sertanejo &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;escondido atrás da gravata.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bato com força o pé&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;no chão empoeirado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;pela falta da chuva e de mato,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;embalado pelo batuque &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e pelas cantigas inspirado.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quem vê não entende...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É o Divino Espírito Santo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;que ainda está batendo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;na minha porta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;querendo foliar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A principal característica do trabalho de Possidônio é este conflito entre a sua vida anterior e a sua vida atual, por isso, creio, fez questão de referenciar a infância para iniciar o seu trabalho. Dentro deste conflito que, no fim, é o conflito da sociedade brasileira, industrializada à força, em que jogou os seus habitantes numa nova sociedade mecanizada e hedonista, opondo-se à antiga sociedade mais comunitária e artesanal. É no fim, o conflito da industrialização acelerada e crescimento desordenado da sociedade da terceira e quarta ondas de Alvin Tofler. É a sociedade de hiperconsumo que se impõe à antiga sociedade da subsistência, vivida pelo poeta em seu quintal. O poeta perdeu sua infância e suas referências e busca uma nova luz para as coisas que enxerga e não quer que elas o tomem, apesar de se inserir nesta nova ordem como integrante atuante da sociedade de consumo, conquistando as benesses materiais desta, ao mesmo tempo, sofre com as perdas de suas referências de infância, familiares, comunitárias e religiosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, para reencontrar o seu norte, ele mesmo aponta um caminho no último poema “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Trancos e Barrancos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;” em que ele, em uma das estrofes, pede em desespero:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Chamem Santos Chagas,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;intimem o poeta Reginaldo,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;acendam a lua Zenilda&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;e venham me resgatar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-4624599603571591851?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/4624599603571591851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=4624599603571591851' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/4624599603571591851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/4624599603571591851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2009/11/joao-possidonio-e-o-conflito-da.html' title='João Possidònio - o Conflito da Sociedade Industrial'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-7299070253928447868</id><published>2009-10-29T10:41:00.000-02:00</published><updated>2010-03-27T15:55:43.784-03:00</updated><title type='text'>Braga Barros - Minhas Gerais</title><content type='html'>&lt;strong&gt;JOSÉ ANTONIO BRAGA BARROS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LIVRO COMENTADO: MINHAS GERAIS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ANO DO LANÇAMENTO: 2009&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Apesar da advertência na abertura do livro a que o autor chamou de Bula, em que diz que&amp;nbsp;cada poema ser independente, o livro chamou a atenção pelo fato de parecer dois livros em um.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O primeiro livro seria um livro dedicado às crianças, bem ao estilo do que já fizeram alguns poetas. Poesia para crianças. O que chama a atenção nos poemas com temas infantis de animais, circo e música. Imaginei um belo livro de poesia para crianças, cheio de figuras coloridas, em que os poemas iriam surgindo, primeiro os animais, depois a música e, depois, o circo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Afinal, ao ler poemas como “Meus Animais”, “A Manada”, “Tatu-Bola” e “Falar com Animal” e também a recriação da fábula “A Formiga e a Cigarra”, não consigo imaginar como sendo poesia para adultos. São poemas para a leitura para crianças, coisa que fiz e as crianças que as ouviram, adoraram.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Somando-se a estes poemas com animais, tem os poemas de música como “Apresentação dos Músicos”, “Sonoplastia”, “Contrabaixo”, “Jazz”, “O Baterista”, “Blow”, “Tocando de Ouvido”.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vem, na seqüência, os poemas do circo, que são: “O Circo”, “O Mágico”, “O Engolidor de Fogo”.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Senti falta de poemas que poderiam ter os seguintes títulos: “A Bailarina” e o “O Palhaço”, assim, completar-se-ia um livro inteiramente dedicado às crianças, fica aqui a sugestão para o autor: transformar parte do seu livro em um livro de poesias para crianças, acrescentando-se ao tema do circo, poemas com bailarina e palhaço.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esta verve de poesia para crianças é muito boa, os poemas são singelos e o vocabulário utilizado é mais simples, propiciando bom entendimento, à exceção feita para o poema “Falar com Animal”, que é uma verdadeira aula das vozes dos bichos, só como exemplo, pegamos uma estrofe qualquer do poema:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;“&lt;/strong&gt;Virou mercado e todos falaram ao mesmo tempo,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com aquele seu papo o peru gruguleja,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O pato grasna, a garça branca gazeia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E o papagaio palra feito gente falando aos ventos&lt;strong&gt;”&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um excelente poema didático, até para ensinar gente grande (confesso que eu não sabia que a garça branca gazeava)&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A parte do livro dedicada às crianças é ótima, li os poemas para meus filhos e eles gostaram muito, é válido, falta muito isso para a difusão da poesia, e é uma parte pouco trabalhada pelos poetas que, adultos, costumam buscar os temas mais penosos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não sou o autor mas, se fosse, teria organizado o livro em duas partes, 1- Poesia para crianças; 2 – Poesia para adultos. Talvez uma classificação muito simplista, cabe ao autor decidir como fazer os seus livros.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quanto à parte do livro mais adulta, fiquei com algumas considerações. Um tema bastante usado pelo autor é a mulher. A mulher admirada pela sua beleza, perfeita e no alto do seu pedestal, ao qual o poeta deseja conquistar e, conquistada, nutre o poeta dos prazeres trazidos por este amor, como em “Férias”, “Novelos”, “Madona”, “Feminina”, “Gostosa”, “Importa”, “Contagiante”, “Nossa Nudez”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ao longo do livro, ficamos em dificuldade de saber a proposta do autor com o seu trabalho. Seria apenas mostrar a diversidade e quantidade de poemas, seria discutir o fazer poético, seria falar de amor, criar um elo de comunicação com as crianças? Retornando à advertência inicial, não foi possível ler cada poema de maneira independente dos outros, vez que os temas surgem e um poema tenta explicar o anterior. Em muitos casos, ficamos em dúvida se o poeta fala de uma amada que seria uma mulher real, seria a inspiração, ou se a amada é a poesia em si, a literatura em si em vez de ser uma mulher. Temos o exemplo de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Contagiante&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;em&gt;Você,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mais do que tudo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mesmo quando passa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sem me olhar,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sem me sorrir,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sem se importar,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não passa em vão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Atrai o meu olhar,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Força ao sorriso,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Aborda o coração.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Maior do que eu,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Seu ser contagiante,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com gestos suaves&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E longos cabelos negros&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Passa aparentemente distante,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas invade minha alma&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deixando marcas, cicatrizes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E um perfume de flor&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta dúvida surge porque o poeta, diversas vezes, trata do assunto do fazer poético, da própria poesia, procurando explicar o que é poesia para ele, o que é o fazer poético. Começa com isso no primeiro poema “Abasteço-me”, e continua em “Buscá-la”, “Tema para Cristina”, “Pedras Preciosas”, até encontrarmos o fazer poético comparado com a confecção de uma música em “Corpo Musical” ou de uma escultura em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Esculpi-la com palavras&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;em&gt;Primeiro, juntar substantivos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tomar posse deles todos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tê-los à mão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dar-lhe um certo volume,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ainda disforme.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Manuseando verbos, vírgulas e pontos,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Começo a configurar seu corpo:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um todo, ainda sem detalhes.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você começa a aparecer:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Harmônica, expressiva,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bela, delicada,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nudez total, angélica,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Saindo de minhas mãos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Entalhar o sorriso, o olhar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E, com gestos suaves.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esboçar o movimento.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Contemplar seu vôo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No poema acima, o autor destaca como ele faz a construção do poema, primeiro, pega as ferramentas, as palavras, separa o que acreditou importante, os substantivos, vai dando forma, acrescentando então os verbos, vírgulas e pontos, dando forma até o poema ficar pronto, fechando-o com "o sorriso, o olhar". A partir daí, deixa o poema voar, passando a contemplar o seu voo, ou seja, verificando as reações que o poema provocou nas pessoas que ele atingiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois destes temas, sobressai o tema do amor pela mulher, da explicação do que é amor para o poeta, vemos isso em “Composição”, “Alpendre-III”, “Nosso Amor”, “Namoro”, “Nunca Saberão”, como exemplo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fogo na Mata&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O amor tem pernas próprias.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vai aonde quer,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Descobre trilha, atalhos,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sobe encostas, atravessa vales,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Escala montes, não para...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O amor contempla o horizonte,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abre caminhos, constrói pontes,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vai em frente...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É fogo na mata, vai, sem volta.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O amor não é algo que dou,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O amor não é algo que recebo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O amor é você que passa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O amor é encontro.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A maior falta que percebi na poesia de Braga Barros é a dor. Braga Barros não é um poeta que se aprofunda na dor humana, na solidão, nos recônditos escondidos da alma. Ao contrário, de maneira mais “clássica” da visão do poeta para a sociedade, ele canta o amor, a beleza da mulher, a esperança, a beleza da poesia e da alma, a riqueza dos momentos felizes, a paz. Sua escrita é recheada desta simplicidade. Talvez busque mesmo estas qualidades,&amp;nbsp;talvez&amp;nbsp;por enxergar o mundo tão cheio de dor, ele prefere mostrar a beleza em vez de mostrar a dor. A singeleza de poemas como “Mamãe”, “Café no Sítio”, “Meu Pai”. Talvez uma fuga do mundo moderno ou uma busca de coisas mais simples para a vida.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas a falta deste aprofundamento na dor incomoda porque parece que a poesia não decola só com o cantar da beleza, mesmo quando ele tenta entrar em questões mais sociais, não consegue um aprofundamento maior, ficou devendo isto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em alguns momentos repetiu-se no verso em poemas diferentes em &lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Gostosa"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; ele diz "&lt;em&gt;Ela se faz - pouco a pouco - Totalmente nua&lt;/em&gt;" e em "&lt;strong&gt;Nossa Nudez&lt;/strong&gt;", ele diz "&lt;em&gt;Num gesto trépido, ela se fez nua&lt;/em&gt;". Ficou devendo uma inovação.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como melhores poemas do autor neste livro, fico com “Mídia”, “Meu Coração”, “Corpo Musical” e “Passado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Corpo Musical&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A liberdade&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;de tocá-la&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;como a um instrumento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;musical&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;nota por nota&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Compor uma canção de amor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nota por nota&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sentir o seu corpo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;musical&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;como a um instrumento&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;que toco&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;com toda liberdade&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As crônicas “Carta a Manoel de Barros”, “O Reino da Palavra” e “A Casa no Final da Rua” são interessantes mas destoam do restante do livro, talvez eu seja um pouco avesso à idéia de se misturar contos e crônicas com poesia no mesmo livro, mas acho que poderiam ser utilizadas em outro contexto, não em um livro de poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-7299070253928447868?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://mesadopoeta.blogspot.com' title='Braga Barros - Minhas Gerais'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/7299070253928447868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=7299070253928447868' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/7299070253928447868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/7299070253928447868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2009/10/braga-barros-minhas-gerais.html' title='Braga Barros - Minhas Gerais'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-3961506409961613107</id><published>2009-09-30T14:54:00.000-03:00</published><updated>2010-05-27T16:31:50.201-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ao escrever em'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='como'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Reginaldo migrante'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='por exemplo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='faz uma poesia de fragmentos de beleza que encontra no dia a dia'/><title type='text'>Réginaldo Poeta - Água, fonte da poesia</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“O ENCONTRO MÁGICO DO PÓLEN” LANÇADO EM 2009.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 107 poemas versam sobre poucos temas. Apesar da quantidade, podemos resumir em aproximadamente dez temas básicos que se repetem ao longo do livro. Água, céu, ausência, tempo, cores (em especial o amarelo), memórias de infância, noite, amor, luz, sociedade.&lt;br /&gt;Entre os temas preferidos estão a água e o céu.&lt;br /&gt;Cerca de vinte e cinco por cento dos poemas aparecem com referência água. Sendo este, o principal tema para o poeta, aparecendo principalmente na forma de nuvens e de chuva.. Também há referências à água quando fala em ilha, barragem, tempestade, dilúvio, relâmpago (que precisa de nuvens para se formar). Penso que esta fixação neste tema se deva ao fato dele vir do sertão nordestino e trazer isto muito dentro de si. No sertão, a água é tudo, a vida existe em torno da chuva, se há chuva e água, tudo existe. Entre os bons poemas contidos no tema da água, temos::&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cambraia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por mais que pareça&lt;br /&gt;Ser linear a vida,&lt;br /&gt;A noiva encontrando&lt;br /&gt;O mais perfeito véu,&lt;br /&gt;Não se engane!&lt;br /&gt;... não se engane ...&lt;br /&gt;São as nuvens que determinam&lt;br /&gt;A paisagem do céu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta usou uma excelente metáfora das nuvens que determinam a paisagem do céu, para lembrar que a vida não pode ser perfeita se for totalmente controlada, a noiva encontrando o mais perfeito véu, ou seja, tudo se casa, a noiva planeja a sua vida, pensa que a vida é perfeita, pensa que está controlando o seu futuro, é o céu, o inatingível, o imprevisível, o incontrolável que tira a linearidade da vida, que irá moldar o futuro, que irá trazer as surpresas (sol, tempestades, nuvens).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta linha da água como fonte da vida, o poeta se denuncia quando a primeira coisa que ele pensa diante do sentimento da morte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fugas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu só queria saber&lt;br /&gt;O que dá em mim&lt;br /&gt;Quando encontro o sentimento da morte.&lt;br /&gt;- escapo dele entre copos de água&lt;br /&gt;e sorvetes esquecidos na geladeira -&lt;br /&gt;Não sei até quando fugirei dessa nave&lt;br /&gt;Que perturba a humanidade inteira.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a importância capital da água, que o remete à sua origem e ao seu final, salvando-o dos seus medos. O mais curioso é que apesar desta ser uma importância capital é, ao mesmo tempo, inconsciente, pois, na última página do livro, entre as coisas que ele gosta e ama, nada informa que seja relacionado à água (com todas as suas formas, e o que isto representa em sua vida).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo tema mais importante é o céu e todas as coisas do alto ou aéreas como lua, sol, relâmpago (luz), pássaros (liberdade), borboletas (transformação), telhado (pensamento, cabeça) e voar. Também, cerca de vinte e cinco por cento dos poemas versam sobre este tema (coisas aéreas, voar, ou do alto). Em dois temas básicos, resume-se cinqüenta por cento do livro.&lt;br /&gt;Um poema interessante é:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Segundos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é um breve relâmpago&lt;br /&gt;Quando penso que estou cantando&lt;br /&gt;Vira passado o meu canto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta usa do relâmpago, que é luz, vem do alto, mas também é efêmero e o relaciona ao seu próprio canto, ou seja, à sua poesia, quando ele pensa que está fazendo poesia, já sente o passado daquilo que fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, ao abusar destes temas, o poeta se repete constantemente e causa certo cansaço na leitura do livro, seria muito bom que ele chegasse a um equilíbrio reduzindo a quantidade de poemas ou ousando mais nas várias versões que as nuvens e céu lhe proporcionam. Apesar da quantidade, as idéias se repetiram.&lt;br /&gt;E Há coisas muito interessantes no livro, como o jogo feito com a palavra LUA, pois nunca temos certeza se o poeta fala da LUA – astro no firmamento ou da LUA (Zenilda Lua) sua esposa. O que torna interessante misturar estas duas idéias e os jogos de palavras feitos como no belo poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fim de Julho&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na maciez do fim de tarde&lt;br /&gt;Busco o tapete calmo&lt;br /&gt;De uma paz escondida&lt;br /&gt;Numa Lua que se anuncia&lt;br /&gt;Mas que ainda não se resolveu&lt;br /&gt;Buscamos tanto...&lt;br /&gt;Queremos tanto...&lt;br /&gt;Anoiteceu.&lt;br /&gt;E agora?&lt;br /&gt;Onde você se escondeu?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Lua está escondida e se anuncia, qual Lua? O satélite Lua ou a esposa Lua? Quem não se resolveu? O poeta está dando características humanas ao satélite ou está falando de sua esposa e lhe dando características divinas (ser um astro no firmamento). Este é um ótimo poema que mostra o seu talento ao fazer o jogo de palavras que, no fim, é a poesia.&lt;br /&gt;Além disso, neste poema em especial, o poeta usa de diversos recursos estilísticos como a sinestesia e metáfora&amp;nbsp;(Na maciez do fim de tarde), prosopopéia (paz escondida,&amp;nbsp;Lua que se anuncia), hipálage (Busco o tapete calmo), figuras que tornaram o poema muito rico e belo. Creio que o poeta usou todas estes recursos de maneira inconsciente,&amp;nbsp;mas isto o enriqueceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também quando o poeta começa a fazer definições curiosas e bem vindas como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Desabafo de um notebook&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tem mouse que vem para o bem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma bela brincadeira que junta o ditado popular e a modernidade, atualizando de certa forma o ditado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reginaldo também faz uma poesia de fragmentos de beleza que encontra no dia a dia, como, por exemplo, ao escrever em&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Distração de Van Gogh&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dezenas de borboletas amarelas&lt;br /&gt;Colorem a sisudez do asfalto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de se pensar na primeira referência, Van Gogh, pintor que usou muito da cor amarela em alguns de seus quadros, portanto, as dezenas de borboletas amarelas se referenciando a este pintor mas, quando elas colorem a sisudez do asfalto, temos de lembrar que as borboletas são, por si só, símbolos de transformação e, de certa forma, Reginaldo procura enxergar esta transformação pelo qual a cidade passa constantemente (o asfalto, o chão em transformação), e são amarelas, ou seja, cheias de claridade, indicando que a transformação ocorre a olhos vistos, a própria transformação é a luz, indicando que mora em um lugar em constante transformação, neste poema ele se vincula firmemente à cidade, ao asfalto, à poesia como fonte de mudança.&lt;br /&gt;Enfim, o livro de Reginaldo mostra o talento do seu autor, do poeta que observa o mundo, comtempla-o, procurando entendê-lo, no entanto, mostra também que este talento precisa de mais trabalho, de mais carinho na elaboração do poema, vê-se que o poeta transborda de inspiração e carece de transpiração. Falta-lhe um olhar mais atento ao conjunto da própria obra, os poemas vão saindo (vê-se que são freqüentes, dada a quantidade) e não retornam, não são mastigados, o poeta não acrescenta elementos químicos, não os cozinha até o ponto. Poucos poemas saem perfeitamente prontos da cabeça de um poeta. É necessário e importante trabalhar em cima de cada poema.&lt;br /&gt;Fica aqui o meu pedido a Reginaldo Poeta Gomes: continue com o seu trabalho porque você tem talento, mas olhe com mais carinho para o conjunto da sua obra, e trabalhe mais os poemas pensando neste passado já conquistado e no futuro de obras mais elaboradas e belas. Creio que este livro é um livro de transição entre o poeta inspirado e o grande poeta inspirado. Siga em frente, continue ousando, este é o seu caminho. Parabéns pelo livro.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-3961506409961613107?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://reginaldopoeta.blogspot.com' title='Réginaldo Poeta - Água, fonte da poesia'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/3961506409961613107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=3961506409961613107' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/3961506409961613107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/3961506409961613107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2009/09/reginaldo-poeta-agua-fonte-da-poesia.html' title='Réginaldo Poeta - Água, fonte da poesia'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-7408860426414006164</id><published>2009-09-28T08:41:00.000-03:00</published><updated>2009-09-28T08:44:22.777-03:00</updated><title type='text'>Entrevista de Fernando Scarpel para o jornal "O Grito"</title><content type='html'>&lt;strong&gt;ENTREVISTA PARA O JORNAL “O GRITO” N.23 PUBLICADA EM SETEMBRO / 2009 - "O Grito" é uma publicação cultural editado por Dailor Varela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a matéria prima dos seus contos?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Meus contos falam de situações cotidianas, dos fatos que influenciam a vida, em geral, que escapam ao nosso controle e nos obrigam a tomar as decisões e os rumos, e disso, o caminho que as pessoas seguem. Procuro mostrar o sofrimento de cada um e a influência que a ação de uma pessoa exerce sobre outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que é escrever para você?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Escrever é uma forma de me manter vivo. É a forma de escapar da mesmice e do peso que a sociedade de consumo exerce sobre a pessoa. Escrevendo eu consigo confrontar a sociedade egoísta e consumista em que vivemos e escapar deste jugo prejudicial à vida. Escrever é pensar e, se penso, existo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você pretende estudar a produção poética joseense. Fale sobre isso&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Depois de alguns anos sem produção literária em São José dos Campos, a partir de 2005, começaram a surgir vários livros de poesia publicados por poetas independentes da cidade, sendo um leitor de poesia, comecei a perceber que o trabalho destes poetas não era algo feito sem critério. Comecei a entender que são poetas completos, cheios de experiências literárias válidas, cheios de vigor e que não são compreendidos. Tanto porque as pessoas lêem pouco quanto porque os que lêem, muitas vezes, não se dão ao trabalho de interpretá-los. Vendo a qualidade destes poetas e a quantidade de livros que estão surgindo, comecei a fazer pequenos estudos destas obras mais recentes, surgindo a idéia de publicar um livro mostrando a qualidade destes poetas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como você vê a vida cultural em SJC? E a Fundação Cultural?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Vejo a vida cultural mais efervescente hoje do que há alguns anos atrás quando a cidade parecia viver num marasmo. O próprio crescimento populacional trouxe mais gente disposta a batalhar pela cultura e isto é muito bom. Vejo que o debate cultural aumentou e que as pessoas estão se dispondo a fazer cultura.&lt;br /&gt;Vejo que a FCCR  faz um trabalho cultural de abrangência ou de massa, ou seja, procura levar o máximo de cultura ao máximo de pessoas mas, ao fazer isso, exclui a criação artística de seu programa, fazendo uma cultura de repetição do que já existe. Falta-lhe dar um passo à frente, ou seja, incentivar a criação artística.&lt;br /&gt;A FCCR, por estar atrelada à prefeitura, infelizmente, vê-se obrigada a seguir as diretrizes políticas da mesma. Penso que ela deveria ter independência política, uma forma de mudar seria desvinculá-la da orientação política do detentor do poder através de eleições diretas para presidente e conselheiros da FCCR.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quais os seus autores nacionais em prosa preferidos?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Machado de Assis continua o grande prosador brasileiro até hoje. Luís Fernando Veríssimo, Marcelo Rubens Paiva.&lt;br /&gt;Você acha que a internet mexeu com seu processo criativo?&lt;br /&gt;Ajudou porque posso ler muito mais textos e buscar inspiração em fatos que chegam pela internet, mas não alterou o básico do processo criativo, que é a observação do cotidiano e das relações humanas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como apareceu na sua vida a vontade de escrever? Existe inspiração para escrever?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Desde criança, sempre gostei muito de ler e de escrever. Todo o trabalho literário atual é a continuação das aulas de Língua Portuguesa que tive na infância, apenas continuei e me aprimorei ao longo do tempo.&lt;br /&gt;Existe inspiração para escrever. Sem inspiração, que é a idéia primeira de um texto, não haverá o texto. O resto é transpiração.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é o seu processo de criação literária?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Após ter um idéia para um conto eu o escrevo. Posteriormente, vou lapidando, cortando, aumentando, transformando aquele texto até chegar no ponto em que o considero terminado. Muitas vezes não consigo terminar uma história, então, deixo-a de lado até que surja nova inspiração para continuá-la. E trabalhar tudo de novo. Muitas vezes, uma história começa de um jeito e o resultado final é outra história de tanto que foi trabalhada, mantendo apenas a idéia original.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você acha que o escritor recebe uma inspiração divina?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sim, acredito que todos nós recebemos nossas inspirações divinas, mas cada um desenvolve este inspiração de um jeito.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fale um pouco sobre você. Quem é Fernando Scarpel&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Sou contador de profissão e um escritor por Paixão. Pai de Cibele, Lorena e Eric, casado com Miriam. Gosto de lembrar disso porque sei da importância destas pessoas em minha vida. Também gosto de saber que venho de uma família de imigrantes italianos que está nesta cidade há mais de um século. Gosto de ler e escrever, curto família, amigos e tento sempre encontrar o que há de bom em cada pessoa. Gosto da profissão em que atuo, gosto de ouvir as pessoas porque são a matéria prima das minhas histórias. Estudei em escola pública no primário, estudei no extinto colégio Olavo Bilac na adolescência e formei-me em Ciências Econômicas na Univap. Publiquei dois livros de contos: “Hoje tem Espetáculo” e “Pelo Adão no Paraíso”. Estou trabalhando em novos livros que serão publicados no futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-7408860426414006164?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/7408860426414006164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=7408860426414006164' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/7408860426414006164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/7408860426414006164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2009/09/entrevista-de-fernando-scarpel-para-o.html' title='Entrevista de Fernando Scarpel para o jornal &quot;O Grito&quot;'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-3117343180979662924</id><published>2009-09-26T16:16:00.000-03:00</published><updated>2010-03-27T15:57:26.343-03:00</updated><title type='text'>A poesia delicada de Zenilda Lua</title><content type='html'>Zenilda Lua publicou o livro "Alfazema" e estas são as observações sobre sua poesia.&lt;br /&gt;Zenilda faz uma poesia intimista e delicada em busca da profundidade da alma. Sente a fragmentação do coração, sofre com isso, em cada poema, um fragmento de um sentimento, seja a desilusão, a solidão, a alegria.&lt;br /&gt;A poesia de Zenilda Lua fala sempre para a pessoa que escuta, como uma conversa íntima, entre pessoas amigas. Ela não explica o mundo, mas insere-se nele, com medo, insegura, porque seus valores são outros. Ela é uma poetisa dos sentimentos ocultos nas figuras de linguagem inesperadas que anunciam uma poesia diferenciada e inovadora, carregada de sensibilidade. Uma poesia do olhar feminino sobre o mundo, um olhar refinado.&lt;br /&gt;Suas palavras soam cheias de um ritmo do sussurro, raras são as vezes em que o poema soa para gritar, no entanto, quando a sua indignação é grande e a gota d’água transborda, ela manifesta sua raiva com precisão.&lt;br /&gt;Ao falar dos sentimentos, ela revela os dramas pessoais e familiares como se cada poema contasse o resumo da vida de uma personagem, uma situação limite onde o sentimento se revela com toda a sua força. No fundo, é um resumo de sua própria vida, disso depreendemos, mas ela o faz como se não fosse, afinal, o poeta é um fingidor, já nos ensinou o grande poeta português, Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;Vamos, aos poucos, relacionando cada poema com a nossa própria vida e sentindo na própria pele a emoção, como, por exemplo, nos momentos em que abandonamos tudo por uma paixão avassaladora, ou quando choramos de saudade, quando lutamos ou fizemos alguma loucura por amor.&lt;br /&gt;Então, vemos uma mulher se revelando, mesmo que ela não conte a sua vida, não diga a sua rotina, não sabemos se vai ao supermercado ou acompanha a filha à escola, se trabalha ou vai ao cinema, não sabemos seu cotidiano a que todos nos submetemos e que destrói o nosso coração, ainda assim, ela se revela totalmente ao falar do cotidiano do coração, sofrendo, todo dia, uma gama enorme de sentimentos e vai relacionando-os em visões simples e delicadas, toques, sussurros, revelando todos os seus sentimentos, expondo-se.&lt;br /&gt;No entanto, faz o contrário das mulheres em busca de fama e sucesso fácil que expõem seus corpos e sua rotina para a mídia, porque Zenilda expõe seu coração, o íntimo, em busca dos valores muito mais nobres e eternos: amor, felicidade, paz. Ao fazer isso, ela vai fundo em uma denúncia contra o consumismo e a efemeridade das relações humanas, ela afirma a sua opção pelo ser. De certa forma, esta atitude é uma denúncia, um grito contra a mecanização das pessoas, uma manifestação tão delicada que não percebemos o quanto mergulhamos junto com ela. E nós precisamos mergulhar nos sentimentos para emergir fortes e enfrentar com sabedoria o mundo que diz que a felicidade está no dinheiro e na fama.&lt;br /&gt;E me pergunto porque é tão difícil para a sociedade industrial perceber que a felicidade está nos relacionamentos humanos?&lt;br /&gt;E, falando ao interlocutor de forma muito intimista, usando e abusando desta técnica, toca mais fundo na alma, revelando os sentimentos com muita força, por exemplo, quando sente saudade de um ente querido lá na Paraíba, mas é uma saudade que mais parece um nascimento quando ela diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Maria das Neves&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No décimo terceiro dia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;do oitavo mês, a saudade acordou mais cedo, Mãe!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E me cortou inteira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;como a chuva corta o tempo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se a gestação da saudade correspondesse a gestação de uma criança, como se a filha já sentisse saudade antes de nascer e a mãe, e esta, antes de parir, já sentisse a mesma saudade pela filha, e isto é uma chuva que corta tanto a mãe quanto a filha. Este corte também pode ser o nascimento onde ocorre o corte do cordão umbilical. Interessante a presença da água que, em primeira análise é o berço da vida. Reforçando a idéia de nascer. É belo demais e difícil entender como para ela parece tão fácil ser tão concisa em um único sentimento.&lt;br /&gt;E ela sente a transformação da sociedade tranqüila num espaço perigoso, dentro da família, que se estende ao país ou à própria sociedade brasileira, revela todos os cuidados das mães pelos filhos, e da família sem proteção. A falsa busca pela paz que acreditamos encontrar apenas nos fechando em nossas casas e em nossos mundos, quando sabemos, que a paz só é possível se todos se abrirem para o mundo, conhecerem-se e buscarem soluções em conjunto. Dentro do contexto de crítica ao isolacionismo, que pode ser da família ou de um país, temos o seguinte poema que mostra bem o medo tomando conta do mundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ultra Sonografia Globalizada sem poema&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Filha, entra!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tranca o portão e a porta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não fale com estranho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não aumente o volume do som&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deixa o celular ligado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Filha, toma cuidado!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estamos à deriva!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não temos segurança ou indenização.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Procuramos (sem garantia) a paz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que, enlameada, respira ofegante&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por entre urânio e flores virtuais.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das figuras mais belas que li neste livro, uma obra prima rara na poesia brasileira, é a do seguinte poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lentes e Contato&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A moça com olhar de noiva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mirava-se na poça de água barrenta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E se perdoava pelo corpo mal feito.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Simulava razões e lisonjeios.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Depois, descia a ladeira,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Levando seus ramos de alegria e alecrins&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta figura da moça com olhar de noiva mirando-se na poça de água barrenta. Fico a imaginar quem é esta moça, o que é este olhar de noiva. Primeiro, este olhar de noiva, a poetisa mesmo me explicou, é um olhar cheio de desejo, porque a noiva deseja, acima de tudo, deseja um final feliz para sua vida.&lt;br /&gt;Então, pensei nesta moça cheia de desejo, tentando se encontrar na água barrenta, tentando achar o seu reflexo, e o que esta água barrenta senão o espelho do mundo onde ela não consegue se encontrar, Sente-se totalmente sem o retorno do mundo, do que as pessoas sentem, do que pensam sobre ela. Uma água barrenta, o mundo que não se preocupa com o indivíduo, apesar de dar tanto valor à individualidade. E então, esta moça se perdoa pelo corpo mal feito. Porque talvez a gente entenda que, aos olhos do mundo, devemos ser perfeitos para sermos felizes e esta moça vem, perdoa-se e prova a si mesma e ao mundo que ela não precisa desta perfeição de corpo e rosto ditada por regras absurdas, ela desce a ladeira, ou seja, ela enfrenta o mundo, e leva ramos de alegria e alecrins. Além de tudo, oferece uma alternativa de vida, uma alternativa baseada no perdão. Uma das características mais fortes da religiosidade do cristianismo, e, por mais inacreditável, tão esquecida, que é o perdão.&lt;br /&gt;Zenilda consegue ser crítica e delicada com tanta facilidade e beleza. É uma poetisa nata, fantástica.&lt;br /&gt;Já comentei que ela trata os relacionamentos com muita importância, as relações mãe-filha, pai-filha, cônjuges, amigos, são a própria vida, um belo exemplo, é a homenagem ao pai, que poderia ser a homenagem a todos os pais do mundo, de uma beleza única.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quimera 77&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Destilada a seiva&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E a memória latejando no peito:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pai, Benção!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pai, reza comigo!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pai, apaga a luz!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E aquela voz de sítio molhado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Chegava crua num assobio singelo:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;_ To indo, Fia!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destilar a seiva, outra bela figura para dizer tantas coisas como, por exemplo, ter vivido a vida, terminar a lida (o seringueiro destila a seiva no trabalho), reconciliar-se após uma briga, encerrar os afazeres e estar com o tempo livre, ou seja, quando o pai está à disposição, a filha pede a benção, uma reza, apagar a luz, percebe-se que chegou a hora de dormir, reconciliar-se com o mundo e se recolher com a ajuda do pai. Também se pode entender que há três tempos aí, o passado, o nascimento ou início: "Pai, Benção", o presente, a vivência ou o meio, "Pai, reza comigo", e o futuro, a morte, o final: "Pai, apaga a luz". E este pai, com voz de sítio molhado pode ser o próprio Deus ou um simples pai, em sua voz&amp;nbsp;que chega num assobio singelo. Todos os pais dizem: To indo, Fia! Todos os pais atendem aos pedidos das suas filhas. Um belo poema, sem dúvida. Tão simples e tão rico!&lt;br /&gt;Zenida é poetisa rara, concisa e publicou uma pequena obra prima, uma jóia para ser lida, relida e divulgada, uma jóia para ser usada por todos. Um livro que merece fazer parte de leituras e releituras deste tempo da literatura brasileira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-3117343180979662924?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://zenildalua-alfazema.blogspot.com' title='A poesia delicada de Zenilda Lua'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/3117343180979662924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=3117343180979662924' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/3117343180979662924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/3117343180979662924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2009/09/poesia-delicada-de-zenilda-lua.html' title='A poesia delicada de Zenilda Lua'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-4149610331107510787</id><published>2009-09-25T09:04:00.000-03:00</published><updated>2010-03-27T15:58:34.040-03:00</updated><title type='text'>Poeta Moraes - Olhando através do Concreto</title><content type='html'>Tento, neste texto, traduzir o trabalho poético do Poeta Moraes, em especial dos seus dois últimos livros. Trabalho difícil a que me propus, mas, lanço apenas alguma luz sobre a complexidade do trabalho do poeta &lt;strong&gt;JOSÉ MORAES BARBOSA.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo o livro, a começar do título:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Poemas Rarefeitos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quê são rarefeitos?&lt;br /&gt;Os poemas são rarefeitos porque de poucas palavras, curtos, ocupando pouco espaço ou, talvez, porque são como ar das grandes altitudes, precisamos respirar mais para obter o oxigênio? Fico com a segunda opção, precisamos respirar mais os poemas rarefeitos do Moraes para oxigenar a cabeça, para compreendê-los é preciso lê-los mais vezes.&lt;br /&gt;A poesia de Moraes é concreta, vem de um menino urbano que viu e viveu a transformação da cidade e não se conformou com isso. Ele vê a multiplicação e a fragmentação da cidade em milhões de pedaços, pessoas, prédios, veículos, temas diversos e protesta contra a falta de concisão da urbe em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Del(e)ito&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pelas ruas ombro a ombro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pelas tuas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Assombro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Escombro&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, para ele, apesar de todos estarem ombro a ombro continua se assombrando ao perceber que as pessoas não percebem o escombro das ruas, das construções, da vida. E o Delito seria o escombro? Ou quer dizer Del (tecla Del ou Delete do computador) querendo excluir este assombro de sua visão.&lt;br /&gt;Moraes é um migrante às avessas, ainda mais difícil, sempre viveu dentro desta cidade e sempre se moveu e se moldou nela, mas ele migrou da urbe pacata, onde os meninos podiam andar de bicicleta por toda ela, nadar no Rio Vidoca, limpo, cheio de peixes e tracajás, migrou da cidade sem prédios e arranha-céus para a São José atual, industrial, poluída, onde o asfalto é mais importante que o caminhar a pé, inconformou-se, viu a destruição de tudo aquilo que lhe era belo, migrou da beleza da cidade ideal ao lado da natureza até uma cidade cheia de prédios, de concreto, de asfalto, ele protesta em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Nanomanifesto&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(A)(Pre)(texto)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Pro)Te(x)to&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Pro)Texto&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interpreto que ele protesta, e, ao protestar contra este Texto escrito nesta cidade, contra este Teto feito de concreto, ele também protesta e testa, com sentido de testar até onde somos pró (a favor) deste texto, até onde somos pré (antes deste texto) ou deste protesto, ou somos a favor deste protesto.&lt;br /&gt;Ao chamar então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vidoca&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Acorde Melancólico de Fezes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, hoje, o Rio Vidoca é este acorde melancólico de fezes? Um rio em que ele nadou quando criança, foi retificado e transformado em esgoto a céu aberto. Então, é o protesto sem usar verbo, uma característica interessante, torna a poesia dura, concreta, feita de pedra. Muitas vezes, ao lê-la, parece que enxergamos uma parede de tijolos à nossa frente, tão difícil é compreender o poeta, mas precisamos interpretar o poema e derrubar esta parede, poemas de tão poucos e, muitas vezes, nenhum verbo para indicar a ação, para nos guiar entre suas palavras. Afinal, o que ele quer dizer em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Cleptocracia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fashion week da miséria&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há verbo algum, não há ação nenhuma, cinco palavras, não há sujeito ou predicado, no entanto, diz muito quando começamos a pensar nas palavras colocadas.&lt;br /&gt;Cleptocracia como fusão de clepto que é o furto, o roubo com cracia, o poder, ou a classe que está no poder, então, cleptocracia seria a classe dominante formada pelos ladrões, seria a sociedade cujo poder é exercido pelos ladrões e assaltantes.&lt;br /&gt;Fashion week é a semana de moda, daquilo que cobre o ser humano, fashion week da miséria é a semana de moda da miséria, ou seja, o que resta na cleptocracia. Se os ladrões mandam e têm o poder, ao povo, aos dominados, resta cobrir-se miséria de semana a semana, aos ladrões, o poder e todas as riquezas. Novamente, a poesia de Moraes vem cheia de dureza e é preciso ver além dela, porque, ao começarmos a divagar, pensamos: quem é o poder? Quem são os ladrões? Quem está na Fashion Week? Quem está na miséria? As questões vão ficando irrespondíveis e somos obrigados a enxergar cada vez mais, considerando que Moraes monta seu quebra cabeça poético com poucas peças. Somos obrigados a lapidar a pedra que Moraes coloca na nossa frente, e coloca uma pedra pichada, cheia de protesto, ao qual nos obrigamos a vencer.&lt;br /&gt;Moraes também critica os novos costumes surgidos com as novas tecnologias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Paixão Digital&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Poemar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Poe-mail&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Entre-mails&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Amar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma constatação e uma crítica. O amor existindo na tecnologia cibernética, o amor virtual superando o amor real, seria o fim da aproximação física entre as pessoas? Seria melhor amar por email? Seria uma referência ao amor entre Frank Doel e Helene Hanff da história de “Nunca te Vi, Sempre te Amei” (filme de David Hugh Jones)?&lt;br /&gt;Ou Moraes estaria apenas brincando com as palavras e juntando poema e email ao escrever poe-mail? Um poema de amor que é um email, uma idéia nova talvez.&lt;br /&gt;Não, ele mesmo responde e crê, apesar do mundo, apesar da distância física da tecnologia, na eternidade do amor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lúdica para Lucy&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na ambigüidade de sua existência&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Permito-me viajante&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Até que a morte nos revele&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é o amor da ótica de Moraes, um amor da urbe visando o eterno, ciente de que só a morte poderá revelar a verdadeira natureza deste amor.&lt;br /&gt;Observando um pouco mais do uso dos recursos literários, Moraes abusa dos parênteses para dar vários significados à mesma frase:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ouro de Aluvião&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A (pa)lav(r)a o Poeta&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se fazer várias combinações da frase como se fosse um número de combinações matemáticas neste poema aparentemente sem verbos (novamente). Entre as combinações, temos:&lt;br /&gt;A pá lavra o poeta (ou seja, usar uma pá, cavocar, a palavra, para lavrar, ou cultivar o poeta).&lt;br /&gt;Se retirarmos as letras inseridas nos parênteses teremos: A lava o Poeta. Referindo a lava, a massa quente de pedra vulcânica, como se a palavra queimasse o poeta, saísse de dentro dele, queimando e gerando o ouro da língua portuguesa.&lt;br /&gt;Ou simplesmente, a palavra o poeta. Indicando que o poeta é a própria palavra. Ou a palavra é que lavra o poeta. A palavra é que o transforma, por isso, Ouro de Aluvião.&lt;br /&gt;E muitas outras interpretações de um poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia de José Moraes é difícil mas é trabalhada, pensada, feita para ser entendida através das palavras, não é auto explicativa, ao contrário, obriga o leitor a interpretar e compreender. Daí que vem a sua originalidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-4149610331107510787?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://poetamoraes.zip.net' title='Poeta Moraes - Olhando através do Concreto'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/4149610331107510787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=4149610331107510787' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/4149610331107510787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/4149610331107510787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2009/09/poeta-moraes-olhando-atraves-do.html' title='Poeta Moraes - Olhando através do Concreto'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-6913966334582906985</id><published>2009-09-24T16:50:00.001-03:00</published><updated>2010-03-27T15:59:29.219-03:00</updated><title type='text'>O Trabalho de Joca Faria</title><content type='html'>Joca Faria é um poeta que exige mais compreensão. Seus estudos de filosofia o levam a construir um mundo próprio, preocupado com as atitudes auto-destrutivas suas e da sociedade humana como um todo. Chega a ter, em muitos aspectos, uma característica de messianismo.&lt;br /&gt;Muitas vezes, as palavras funcionam bem nos poemas e a sua forma de protesto realmente põe o leitor a pensar. Sua preocupação excessiva com a morte remete, pelo tema, aos poetas românticos que a buscavam excessivamente. Sua preocupação excessiva com o aspecto negativo da sociedade atual que leva o mundo a auto destruição tem, como substrato, deuses gregos e indianos, aproximando-se do esoterismo e com muitas referências incomuns ao brasileiro médio, por isso, sua poesia torna-se incompreendida pela sociedade.&lt;br /&gt;A forte referência ao sexo também revela um poeta que enxerga mais o sexo do que o amor como forma de redenção humana.&lt;br /&gt;Percebemos um poeta que conhece bem os textos de várias religiões e que acaba por fazer, muitas vezes, uma fusão de várias delas, conectando-as e inter-relacionando-as.&lt;br /&gt;A dificuldade maior do livro de Joca Faria é o por onde iniciar a sua leitura, já que não há uma seqüência de temas a uniformizá-lo. Cada poema trata de um assunto, entre eles: a preocupação com a situação da sociedade, o desejo sexual, a morte, uma profecia, a dicotomia entre o sagrado e o profano. Concluo que não há forma de iniciar o livro porque não há forma de se colocar ordem no caos. A proposta do livro parece ser o próprio caos, a confusão do homem moderno, bombardeado por milhares de informações e sendo solicitado a todo instante a dar uma razão para a sua existência. Para Joca Faria não há razão para a vida humana, havendo milhões de razões para a sua exterminação da face da terra, restando entregar o mundo às baratas.&lt;br /&gt;Deste ponto, talvez falte-lhe avançar na filosofia e trazê-la mais próxima dos tempos atuais, chegando até Dag Tessore e Giles Lipovetzki, filósofos atuais que discutem muito a atual sociedade de consumo que está levando o mundo à destruição.&lt;br /&gt;Percebe-se a aura de um poeta atormentado por questões muito maiores do que ele, questões já citadas (profano-sagrado, desejo, morte, sexo, destruição). Joca Faria não traz a poesia para o dia-a-dia dos mortais normais, coloca-a em outra esfera, diferente da que estamos acostumados, como se fossem códigos ainda por decifrar, símbolos que falariam mais alto do que a vida humana.&lt;br /&gt;Este universo tão particular que ele enxerga através das suas “Retinas” é o que distingue dos demais, mas até mesmo esta discussão que ele propõe, de certa forma, deve ser inserida no debate da cidade como um todo, afinal, é a partir da cidade, das observações das relações humanas que ele elabora sua teoria do caos e da destruição.&lt;br /&gt;Aos poucos, Joca Faria vai-se infiltrando e assumindo a cidade, principalmente ao enxergar uma personagem constante em sua poesia, a mulher, vista algumas vezes como a prostituta que corre o risco na rua em:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Dama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na dura esquina da noite&lt;br /&gt;Ela busca seus sonhos&lt;br /&gt;Linda mulher, desejada&lt;br /&gt;Corre risco&lt;br /&gt;Em busca da liberdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta visão da mulher necessita de mais discussão, pois onde a prostituição, como meio de vida, é a busca da liberdade? Ou a busca da liberdade seria sair da prostituição (pois a prostituição é uma prisão para aquela que a exerce) ou a busca da liberdade é viver na prostituição (pois a sociedade atual seria uma prisão)?&lt;br /&gt;Mas, em geral, a mulher é o mistério que ele tenta decifrar, ao mesmo tempo sagrada e profana, a mulher pela qual ele sofre, que é anjo, a qual ele deseja e que, por isso mesmo, leva-o à morte e à própria destruição.&lt;br /&gt;Além de se inserir na cidade através da mulher, Joca Faria se insere, também, ao reverenciar o Vale do Paraíba, ao protestar contra a destruição da natureza, ao desejar ser o dono do próprio chão. Os melhores poemas de Joca Faria são os que ele abandona a filosofia e parte para a simplicidade, claro, percebemos que a filosofia está presente nos poemas em que ele busca mais a síntese do que a explicação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faces&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaso a sussurrar&lt;br /&gt;em meus sentidos,&lt;br /&gt;No labirinto te encontro&lt;br /&gt;Ausência presente&lt;br /&gt;mistério de sete faces&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste poema, Joca sintetiza todo o mundo que ele exaustivamente se explica ao longo do livro, há alguém (provavelmente a mulher desejada) a sussurrar nos sentidos, ou seja, não apenas no ouvido, mas em todos os sentidos esta mulher sussurra. Ele a encontra no labirinto, que pode ser entendido como o emaranhado de ações cotidianas, as contradições e dificuldades, onde ela está ausente (pois o poeta a busca) mas presente (porque impregnada em seus sentidos) sendo um mistério para ele como ela consegue isso, como ela é multifacetada (sete faces) em sete, um número esotérico, de cada forma que a mulher desejada se apresenta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-6913966334582906985?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://jocafaria.blogspot.com' title='O Trabalho de Joca Faria'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/6913966334582906985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=6913966334582906985' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/6913966334582906985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/6913966334582906985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2009/09/o-trabalho-de-joca-faria.html' title='O Trabalho de Joca Faria'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-8473228896314953214</id><published>2007-08-22T20:31:00.000-03:00</published><updated>2009-09-24T16:58:43.530-03:00</updated><title type='text'>Poesia no Vale do Paraiba</title><content type='html'>Residimos em uma região mutante. Todos os dias, novas pessoas chegam dos mais diversos pontos do país e vêm fazer a vida neste vale. Alguns voltam para sua terra natal sem conseguir fixar-se nesta terra das oportunidades. E nesta sopa fervendo no caldeirão formado pelo Vale do Paraíba, todos os ingredientes se misturam e se forma uma cultura sem rumo, sem denominação, onde a sua identidade é a falta de identidade.&lt;br /&gt;Não é fácil encontrar algo idêntico, típico do vale. Alguns falam dos tropeiros, outros do matuto, do pescador, do agricultor, como sendo representantes autênticos do vale.&lt;br /&gt;Mas o verdadeiro representante do Vale do Paraíba, em especial de São José dos Campos, é o migrante.&lt;br /&gt;Aquele que veio das mais diversas partes do Brasil e do mundo e se instalou para trabalhar, veio, quase sempre, com a intenção de voltar, mas aí os filhos nasceram por aqui, e foram ficando. Outros voltaram, muitos ficaram.&lt;br /&gt;E o migrante traz a sua bagagem cultural para ferver no caldeirão do vale.&lt;br /&gt;Que cultura faremos desta miscigenação?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-8473228896314953214?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/8473228896314953214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=8473228896314953214' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/8473228896314953214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/8473228896314953214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2007/08/quem-sabe-mexer-com-isso.html' title='Poesia no Vale do Paraiba'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8486780447532897993.post-6967964673229843552</id><published>2007-08-19T20:50:00.001-03:00</published><updated>2009-09-24T17:00:22.266-03:00</updated><title type='text'>Para quem o escritor escreve?</title><content type='html'>Faço-me esta pergunta sempre que alguém compra o meu livro. Compra apenas porque é meu amigo? Ou porque gosta de ler? Tive a experiência de dar o meu livro para os meus irmãos dois meses antes do lançamento e me surpreenderam ao declarar, quase no dia do lançamento que ainda não o haviam lido.&lt;br /&gt;            Fizemos mais uma noite de autógrafos ontem em que foram apenas seis pessoas. Pouco, mas caiu uma tempestade enorme no dia e ninguém quis arriscar-se a ir à noite. Fiquei feliz de ainda aparecerem seis pessoas. A vida do escritor é isso. Felizmente não é meu ganha pão.&lt;br /&gt;            E continuo me perguntando por que o escritor escreve.&lt;br /&gt;            Para mim, a resposta é: escrevo porque preciso. É parecido com aquela frase, navegar é preciso, viver não é preciso. Não é isso. Esta frase quer dizer que navegar é certo, tem rumo, é preciso no sentido de precisão, correção. E viver não é preciso, viver não tem rumo, não tem nada certo, não tem linha de chegada, só tem partida.&lt;br /&gt;            Então, escrevo porque preciso, porque necessito. Porque minha cabeça tem um monte de histórias que eu gostaria de ler e ainda não li. Porque sinto que alguém tem de escrever, alguém da minha geração tem de provar que é capaz de fazer isso, alguém na cidade em que vivo tem de mostrar que é possível fazer literatura neste mundo.&lt;br /&gt;            Minto, não escrevo para provar nada. Escrevo para mim e quero escrever para as pessoas. Escrevo para enriquecer as pessoas com as minhas palavras, ainda que as pessoas não tenham interesse por leitura. É o paradoxo do escritor.&lt;br /&gt;            E escrevo em Português, uma língua falada por duzentos e trinta milhões de pessoas no mundo, das quais oitenta por cento são brasileiros, ou seja, uma língua brasileira. Escrevo porque esta língua única e fascinante é a minha pátria, é o Brasil, é o português e como sou grato por pensar em português com toda a história que esta língua bela carrega.&lt;br /&gt;            Escrevo para não morrer o pensamento português, para não morrer a língua portuguesa e sua nuance repleta de perdão, de saudade (que bela palavra que resume tanta esperança e tristeza ao mesmo tempo), de alegria e de amor.&lt;br /&gt;            Escrevo porque sinto que o Brasil precisa de alguém que escreva, ainda que não me dêem valor, ainda que não me leiam, ainda que não me encontrem, ainda que se percam os meus livros numa estante sem nunca serem abertos, escrevo para eu entender toda esta história e para fazer o futuro, e, acima de tudo, escrevo para eu ler as histórias que eu gostaria de ouvir do meu mundo, do meu país, da minha língua.&lt;br /&gt;            Sei que um dia, estes meus textos cairão nas mãos de pessoas que os usarão como estudo para novos textos e como o galo cantando na madrugado no poema de Fernando Pessoa, os futuros galos poderão continuar existindo e transformando este belo idioma, que é a minha pátria no seu sentido mais amplo.&lt;br /&gt;            Vejo as pessoas pegando os meus livros e os tratando como algo importante e não fazem o simples ato de os ler e de ver o quanto as histórias que eles contém são histórias das suas próprias vidas. Como eu gostaria que as pessoas o lessem para que elas mesmas se compreendessem com este gesto.&lt;br /&gt;            Mas a maioria não lê. Que língua bela e ingrata é esta que não ensina os seus filhos a compreendê-la. Não é culpa de ninguém, o Brasil ainda é um país muito pobre economicamente, ler ainda é muito caro por aqui, é ato reservado aos mais abastados ou aos mais loucos, ou aos mais persistentes que vão às bibliotecas públicas.&lt;br /&gt;            Um dia tudo estará transformado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8486780447532897993-6967964673229843552?l=scarpel-fernando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/feeds/6967964673229843552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8486780447532897993&amp;postID=6967964673229843552' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/6967964673229843552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8486780447532897993/posts/default/6967964673229843552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://scarpel-fernando.blogspot.com/2007/08/iniciando-um-canal-de-comunicao-atravs.html' title='Para quem o escritor escreve?'/><author><name>SCARPEL</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_1NAsjcLkazc/S5qkJ1kFbrI/AAAAAAAAAAM/Lms1oNnjlck/S220/chuva+de+gelo+024.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
